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Rural Sexta-feira, 13 de Março de 2009, 07:23 - A | A

Sexta-feira, 13 de Março de 2009, 07h:23 - A | A

Quase metade dos abatedouros instalados fecha as portas em MS

Da Redação

Nos últimos meses, o fechamento e a suspensão dos abates em frigoríficos de Norte a Sul do país foram notícia nacional. O setor que representa fielmente a força da pecuária brasileira sentiu os efeitos da crise internacional, e não conseguiu passar ileso pela escassez de crédito no mundo.

Em Mato Grosso do Sul, um dos Estados mais importantes na produção de carne bovina do país, a situação é delicada. Dos 36 frigoríficos com serviço de inspeção federal habilitados para abater bovinos, 45% fecharam de vez as portas ou suspenderam temporariamente as atividades. São pelo menos 16 indústrias, que juntas têm capacidade para abater em média 10 mil animais por dia.

Atualmente, a maior parte das indústrias em atividade opera com no máximo 60% da capacidade. De acordo com a Associação dos Matadouros, Frigoríficos e Distribuidores de Carnes, o quadro pode ficar ainda mais grave nos próximos meses, já que as empresas consideradas de pequeno ou médio porte, que abastecem o mercado interno e por enquanto ainda não sentiram com a mesma força o impacto da crise, podem não resistir à concorrência com os grandes grupos. Pelo menos duas indústrias podem fechar as portas nos próximos dias.

— Se não houver apoio do poder público reduzindo a carga tributária, que prejudica principalmente as pequenas empresas, muitas não deverão aguentar e também fecharão as portas, podendo provocar desemprego em massa — diz o presidente da Assocarnes, João Alberto Dias.

A turbulência no mercado financeiro internacional provocou escassez de crédito, derrubou a liquidez e desestabilizou a balança das indústrias – situação que começou a se agravar no segundo semestre do ano passado e que mês após mês tornou o cenário bastante preocupante para os empresários. As conseqüências foram queda no volume de abates e fechamento de indústrias.

O fechamento dos frigoríficos não deveria prejudicar o setor, mas a capacidade de abate instalada no Estado é bem superior à demanda. Sendo assim, as empresas normalmente já trabalham com os pés no freio. Na prática, entretanto, não foi isso o que ocorreu. Coincidência ou não, a crise derrubou os abates. Em janeiro deste ano foram abatidos 246 mil bovinos, 80 mil a menos do que no mesmo período de 2008.

As exportações também recuaram. Em fevereiro deste ano, a venda de carne bovina produzida no Estado para o exterior caiu 56% em relação ao volume vendido em setembro, no início da crise. Trata-se de um prejuízo que passa dos 30 milhões de dólares e que acendeu um sinal de alerta para a classe produtora.

O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Laucídio Coelho Neto, comenta que o Estado possui um dos maiores parques frigoríficos do país destinados à exportação.

— Operar com a capacidade ociosa prejudica e preocupa os pecuaristas — completa. (Fonte: Canal Rural)
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