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Rural Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008, 08:20 - A | A

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008, 08h:20 - A | A

Produção de grãos deve cair 10% na próxima safra

Da redação (LM)

A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM), disse que a entidade calcula que haverá uma quebra de cerca de 10% na próxima safra de grãos em relação à produção 2007-2008, de 143 milhões de toneladas. Ela fez essa projeção ao apresentar o balanço anual da CNA para o setor agrícola e as perspectivas para a próxima temporada (leia abaixo).

De acordo com Kátia Abreu, a previsão de queda na produção deve-se principalmente à redução de 8% no uso de fertilizantes nas lavouras e à diminuição da área plantada de milho. A presidente da CNA também prevê que os produtores enfrentarão outros obstáculos na próxima safra, como maiores dificuldades na comercialização e na concessão de crédito.

"Até agora, por exemplo, o país só comercializou 18% da soja verde. No ano passado, neste mesmo período, o volume vendido chegou a 50% da safra da oleaginosa", destacou Kátia Abreu.

O consultor técnico da CNA Guilherme Dias reforçou as preocupações da presidente da entidade. Na sua avaliação, a agricultura brasileira precisa passar por um reformulação na sua estrutura de financiamento. "A primeira mudança deve vir do próprio produtor, que deve se apresentar como um a firma rural moderna, capaz de sobreviver aos novos desafios."

Ainda segundo Guilherme Dias, o produtor brasileiro precisa ser mais transparente em suas atividades. "Se não houver transparência, é impossível montar um seguro de produção para os agricultores", assinalou o técnico da CNA.

Na opinião da Kátia Abreu, a transparência depende da desoneração dos alimentos. "Para sermos transparentes, tem que haver desoneração dos alimentos."

As projeções do Valor Bruto da Produção (VBP) apontam para a queda do faturamento da atividade no próximo ano, de R$ 298,64 bilhões para R$ 273,08 bilhões. Esse desempenho tende a comprometer o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio, que vem desacelerando nos últimos meses.

"O setor de insumos foi responsável pelo forte crescimento do PIB, em 2008", explica a presidente da CNA, destacando que a safra recorde de grãos também contribuiu para esse resultado. Segundo estimativa da CNA e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o crescimento do segmento de insumos para a agropecuária foi de 17,63%, enquanto o agronegócio da agricultura cresceu apenas 7,33%, no período de janeiro a setembro de 2008. Mas, segundo a senadora Kátia Abreu, o PIB do setor tende a crescer a taxas bem maiores do que a economia brasileira. "As estimativas são de que o PIB do agronegócio atinja R$ 698 bilhões em 2008, o que lhe garante crescimento a uma taxa de 8,62% este ano", afirma ela.

Se a desaceleração da elevação do PIB continuar em 2009, a presidente da CNA diz que serão necessárias medidas urgentes para sustentar a renda do produtor e viabilizar o plantio da safra seguinte. Entre essas medidas, Kátia Abreu cita a reestruturação do crédito rural e a liberação de recursos para a sustentação dos preços dos produtos agrícolas.

"O atual sistema de crédito rural não dá segurança a quem financia, o que acaba elevando o custo do crédito para o produtor rural", diz a senadora. Para ela, é imprescindível dar transparência aos compromissos assumidos pelo produtor junto às instituições financeiras e a sua capacidade de efetuar os respectivos pagamentos. Quanto à sustentação dos preços agrícolas, a CNA e a Frente Parlamentar da Agropecuária articularam junto ao relator geral da lei orçamentária, senador Delcídio Amaral, a destinação de R$ 3 bilhões para garantir preços que remunerem pelo menos os custos de produção para o produtor rural. (Agência Brasil)

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