Mato Grosso do Sul ficou ou ganhou status de área livre para aftosa em outubro do ano passado e em março foi anunciado oficialmente esta liberação. Contudo, o reconhecimento com a homologação em resolução número 14, que foi realizada nesta semana pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMS).
O comunicado foi feito nesta quinta-feira (26) pelo diretor da entidade, Bernard Vallat, à delegação brasileira que participa da 79ª Sessão Geral da Assembleia Mundial de Delegados da Organização de Saúde Animal.
“MS está oficialmente livre de febre aftosa com vacinação”, disse o diretor aos representantes do governo brasileiro.
Apesar do reconhecimento de área livre de febre aftosa com vacinação ter ocorrido no ano passado, as portas dos mercados internos para a carne sul-mato-grossense só começarão a se abrir com a tomada de medidas determinadas pela OMS como é o caso, agora, da homologação.
Junto com o MS, também foram oficializados como área livre de aftosa com vacinação os estados da Bahia e do Tocantins”, informou o Deputado. “Foi uma importante conquista para o nosso Estado. Agora o desafio é o reconhecimento de área livre sem vacinação.
Documentos de MS
O deputado federal Marçal Filho foi o representante do Estado na Assembleia Mundial, onde entregou ao diretor da OMS os documentos oficiais e um relatório de quase 50 páginas, todo ilustrado com mapas e gráficos, que o governo do Estado elaborou requerendo que o MS fosse considerado livre de febre aftosa com vacinação.
“Defendi na OIE a tese que o governo de Mato Grosso do Sul adotou todas as medidas necessárias durante a Zona de Alta Vigilância (ZAV) e que o setor produtivo rural também está investindo em sanidade animal para manter a aftosa longe do nosso Estado”, ressaltou Marçal.
O parlamentar destacou o trabalho realizado pelos técnicos da secretária de Estado da Agricultura, para mapear todo histórico da febre aftosa, apontar os trabalhos realizados para conter o vírus e relatar os investimentos que o governo fez em políticas de sanidade animal em todas as regiões.
“São inegáveis os esforços do governo do Estado, com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para livrar o Estado do vírus da febre aftosa. Portanto, nada mais justo que a OIE coroe esses esforços com o reconhecimento de área livre com vacinação”, ressaltou.
SEM VACINA
O diretor-geral da OIE, Bernard Vallat, explicou que para o Brasil conquistar status de livre de aftosa sem vacinação vai depender diretamente do controle da doença em países vizinhos, sobretudo a Bolívia e a Venezuela.
O diretor-geral explicou que com apoio do governo brasileiro, o Paraguai já avançou no combate à aftosa. “Agroa, a exemplo do que fizeram os Estados Unidos, o Brasil agora precisa ampliar a cooperação com os países vizinhos que têm sanidade animal fragilizada, para ficar livre da febre aftosa sem a necessidade da vacina”, salientou o deputado.
Para Bernard Vallat, o Brasil já tem mais de dois terços de seu território livre da doença com vacinação e é um exemplo de política de controle eficaz de enfermidades, mas tem áreas de fronteira que ainda são de alto risco.
É preciso, segundo o diretor-geral, assegurar que países por onde circula o vírus da doença, como Venezuela e Bolívia, adotem uma política de vacinação muito dura, disse. “É possível a erradicação total em breve, mas não sei quando, porque em alguns Estados o trabalho de vacina é muito difícil por razões logísticas, como o Amazonas”, enfatizou.
O país deve adotar a estratégia de ir avançando aos poucos nas áreas reconhecidas livres sem vacinação, começando pela Região Sul, onde o controle está mais avançado. Atualmente, apenas Santa Catarina tem esse status. Segundo o diretor, o Paraná deve ser o próximo estado a conseguir esse reconhecimento pela OIE.
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