O ciclo de alta das principais commodities agrícolas no mercado internacional, iniciado na segunda metade da década passada, além de redefinir as médias históricas registradas até então, ajudou a camuflar as graves deficiências do país em sua infraestrutura de transportes e na logística de armazenagem, escoamento e distribuição da produção, de acordo com o Valor Econômico.
Os preços elevados compensavam o pesado fardo imposto aos custos de produção por tais gargalos logísticos.
O aparente esgotamento da tendência de valorização das commodities no mercado internacional acentua essas deficiências históricas, tornando-as ainda mais evidentes, e coloca em destaque a urgência de investimentos para destravar o escoamento da produção.
A carência de armazéns, o transporte excessivamente concentrado nas rodovias e um sistema portuário combalido corroem a competitividade e impedem o crescimento mais acelerado do setor, avalia Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).
Segundo Carvalho, o setor público tem investido em transporte apenas 0,36% do Produto Interno Bruto, algo em torno de R$ 16 bilhões por ano. Rússia, Índia e China investem em infraestrutura, pela ordem, 7%, 8% e 10% do PIB.
O baixo investimento e a matriz de transporte que privilegia o uso de caminhões cobram um alto preço. O custo logístico no Brasil corresponde a aproximadamente 12% do PIB, frente a 8% nos EUA.
Nas últimas duas décadas, a produção brasileira de grãos cresceu nada menos do que 143%, saltando de 76 milhões para 185 milhões de toneladas, segundo o levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Se da porteira para dentro o agronegócio tem comprovado sua eficiência ao longo dos anos, os problemas começam assim que a produção é colhida. "Há 30 anos, já havia falta de armazéns no país, situação que apenas se agravou, pois o crescimento acelerado da produção não foi acompanhado pelos investimentos na rede de armazenagem", afirma Carvalho.
O déficit de armazéns nas propriedades rurais no Brasil gera pressões que se espraiam pelo restante da rede de escoamento e distribuição, afetando também as exportações, ao produzir congestionamentos e filas de caminhões e navios nos portos. Se os produtores tivessem a oportunidade de colher a safra mais cedo e armazenar a produção à espera de melhores condições de mercado, as pressões sobre a infraestrutura logística, com todas as suas deficiências atuais, já seriam menores.
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