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Rural Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007, 11:43 - A | A

Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007, 11h:43 - A | A

Embarque para Rússia eleva receita com suínos

Redação Capital News (www.capitalnews.com.br)

A abertura do mercado russo e a eminente possibilidade de entrada no mercado chileno devem impulsionar as vendas externas de carne suína em 2008. A expectativa do setor é de aumento de 10% em receita e até 16% em volume, prevê a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). As empresas do setor estimam que os preços internacionais podem subir até 20% e que o mercado interno deve se manter aquecido.

Este ano, considerado ruim pelo setor - por conta do aumento dos custos de produção, da desvalorização do dólar e dos baixos preços pagos pela carne suína no mercado externo -, o Brasil exportou cerca de 600 mil toneladas da proteína animal, gerando receita de US$ 1,1 bilhão, segundo dados da Abipecs. O volume é 14% superior ao registrado em 2006 e a receita, cerca de 7% maior. A estimativa da associação é de que em 2008, as exportações fiquem entre 650 mil e 700 mil toneladas. "O crescimento se dará em função da abertura de novos mercados, como o Chile, que está sinalizando a retomada das importações de carne suína brasileira", afirma Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs.

Além do mercado chileno, o setor espera recuperar os preços baixos registrados este ano por meio da retomada das importações russas, que há dois anos embargou o Estado de Santa Catarina, um dos maiores produtores e exportadores de suínos do País. Antes do embargo, os frigoríficos catarinenses exportavam, em média, 17 mil toneladas de carne suína para a Rússia. A venda gerava receita de US$ 34 milhões.

"A retomada das importações russas deverão elevar os preços da carne suína no mercado externo em torno de 20%", estima Mario Lanznaster, presidente da Aurora Alimentos, que com o embargo a Santa Catarina vem exportando os derivados de suínos da unidade instalada em Sarandi, no Rio Grande do Sul. Além disso, segundo o executivo, os embarques da empresa, antes destinados à Rússia, foram remetidos a outros mercados, mas a preços bem inferiores. "Exportamos pelo mesmo preço que vendemos no mercado interno, os embarques serviram apenas para não ofertar em excesso no País e derrubar ainda mais os preços."

A expectativa do presidente da Aurora é de elevar os embarques em cerca de 30%, passando dos atuais 3 mil toneladas por mês, para até 4 mil toneladas por mês. Apesar de prever um aumento nos embarques, a direção da Aurora não pretende elevar a produção em 2008, que está em torno de 14 mil abates por dia. "Vamos priorizar os mercados que têm melhores preços, como a Rússia, e diminuir a oferta no mercado interno", afirma Lanznaster.

Frimesa

De olho na expectativa de melhora no mercado de suínos, a Frimesa inaugurou na semana passada a expansão da indústria de carnes instalada em Medianeira, região oeste do Paraná, que demandou investimento de R$ 52 milhões. A nova planta integra o complexo industrial formado por abatedouro, indústria de processamento de derivados de carne suína e uma central de distribuição.

O investimento garantiu o aumento da capacidade de abates em 300%, passando dos atuais 1,5 mil abates por dia para 6 mil suínos por dia. "Nossa meta é atingir a capacidade plena em 2012", afirma o diretor executivo da Frimesa, Elias José Zydek. Desse volume, 6 mil toneladas de cortes suínos serão resfriadas e congeladas e 9 mil toneladas de produtos serão industrializadas.

Segundo Zydek, o foco da produção será o mercado interno, mas a empresa pretende elevar gradativamente as exportações, cuja participação no faturamento da Frimesa caiu para 4% em 2007. No ano passado, essa participação foi de entre 12% e 15%. "As barreiras sanitárias e o dólar foram os principais fatores que prejudicaram nossa receita com exportação", afirma o executivo. Para Zydek, a retomada significativa dos embarques só deve ocorrer em 2009 com a abertura do mercado japonês, país que importa 1,1 milhão de toneladas de carne suína por ano. "O Brasil tem potencial para conquistar esse mercado, pois tem preço e qualidade de carne competitivos."

Apesar do aumento dos grãos, o Brasil ainda registra o menor custo de produção do mundo, em torno de US$ 1,10 por quilo (kg). Nos demais países, o custo por kg varia entre US$ 1,25 (EUA) e US$ 2,60 (Reino Unido).

A Frimesa, que atua nos mercados de suínos, de aves e de derivados lácteos, deve em encerrar o ano com faturamento de R$ 595 milhões. Em 2008, a receita deve crescer 26%, chegando a R$ 750 milhões, prevê Zydek.

Perdigão

A Perdigão Agroindustrial, uma das líderes do mercado de suínos no País, está ampliando a capacidade de abates na unidade de Rio Verde, em Goiás. A expectativa é de que no próximo ano, o número de abates dobre, passando de 3,5 mil por dia, para 7 mil abates de suínos por dia.

Boa parte da carne suína abatida em Goiás será destinada à fábrica de processados que está sendo instalada em Bom Conselho no Nordeste, informou Wang Wei Chang, diretor vice-presidente de Finanças, Administração e Relações com Investidores da Perdigão.

"As restrições sanitárias são as principais barreiras para a carne suína brasileira, por isso estamos investindo no mercado interno, cuja demanda é crescente e tem grande potencial", afirma Wang.

2008, segundo Wang, será o ano da incorporação para a Perdigão, que em 2007, fez uma séria de aquisições e elevou seu valor de mercado para cerca de R$ 9 bilhões. Antes da aquisição da Eleva, dona da marca Elegê, a Perdigão era avaliada em R$ 7,4 bilhões. Mas além da Eleva, em 2007, a empresa fez uma série de aquisições e ampliações que demandaram investimento superior a R$ 3 bilhões. Este ano, as aquisições da empresa foram: Sino dos Alpes Alimentos (produção de linhas de pequena escala), Plusfood (três plantas na Europa), Unifrigo (frigorífico de bovinos com capacidade de 2 mil abates por dia), Paraíso Agroindustrial (frigorífico de aves e fábrica de rações) e Batávia (aquisição do restante das ações para obter o controle total). Além disso, formou uma joint venture com a Unilever para produção, distribuição e marketing das margarinas Becel, negócio que custou R$ 77 milhões, e inaugurou o complexo mineiro. (Com informações do DCI - Diário do Comércio & Indústria)

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