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Rural Terça-feira, 29 de Setembro de 2009, 17:12 - A | A

Terça-feira, 29 de Setembro de 2009, 17h:12 - A | A

Curso de campo propõe ritmo acelerado de pesquisas no Pantanal

Da Redação (AP)

Coletar material de manhã, analisar à tarde, apresentar aos colegas no fim da tarde e produzir um relatório científico à noite. Essa foi a rotina dos alunos do curso de Ecologia do Pantanal, uma disciplina do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), que passaram seis dias na fazenda Nhumirim, da Embrapa Pantanal. O ritmo forte é um diferencial do curso, que busca estimular os estudantes para a pesquisa científica.

Para o pesquisador Agostinho Catella, da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o curso propicia uma oportunidade de aprendizado intensivo, vivência no campo e trabalho em equipe. A permanência na fazenda aconteceu de 9 a 14 de setembro.

Catella é professor convidado do programa e acompanhou o grupo de 22 estudantes. Desse total, dez são convidados de outras instituições –e até de outros países, como uma aluna que veio da Colômbia. O curso todo de ecologia dura aproximadamente um mês (3 de setembro a 1º de outubro) e os mestrandos e doutorandos terão contato com 16 professores diferentes, convidados de universidades de todo o país. Cada grupo de quatro professores fica uma semana com o grupo. Eles permaneceram inicialmente uma semana na fazenda Rio Negro (Aquidauana), uma semana no campus experimental da Embrapa Pantanal, a Fazenda Nhumirim, e duas semanas na Base da UFMS no Passo do Lontra, junto ao rio Miranda.

No dia em que chegaram à fazenda em um comboio de cinco caminhonetes Toyota, eles fizeram um reconhecimento de campo. “Alunos e professores passaram por diferentes ambientes da área e assistiram a uma palestra. Nos outros dias, eles foram divididos em quatro grupos de cinco pessoas. Três alunos mais experientes, dois em campo e um que permanece como apoio na UFMS em Campo Grande, fazem a disciplina como organizadores, dando todas as providências logísticas para o andamento do curso e por isso não fazem as atividades de pesquisa”, explicou.

Uma das atividades mais ricas da semana foram os projetos orientados. Os professores propõem para os grupos de alunos um miniprojeto a cada dia. É justamente essa atividade que impõe o ritmo acelerado de pesquisa. Ao todo eles desenvolveram oito projetos orientados, que serão publicados em um livro sobre o curso de campo. A fotografia que ilustra a capa do livro é selecionada entre a produção dos próprios alunos.

Além dos projetos orientados, também foram realizados os chamados projetos livres. Neste caso, os próprios alunos escolhem o tema que vão pesquisar e realizam o mesmo processo. “O interessante é que eles não podem usar computador. Só usam calculadoras, retroprojetores e fazem os gráficos à mão”, explicou Catella.

Gustavo Gracioli, um dos coordenadores do curso, afirmou que trata-se de um treinamento para que os alunos se acostumem a chegar ao local e avaliar o ambiente rapidamente. “Com esse ritmo, eles saberão criar um método e a responder a questões com rapidez. Treinam o raciocínio e aprendem a pensar mais rápido”, explicou.

O resultado tem sido muito bom, segundo Gustavo. No fim do ano, os mestrandos desenvolvem um projeto mais longo, que origina outra publicação. “Esperamos que eles levem esse aprendizado para a vida profissional toda”, disse o coordenador.

O curso segue esse esquema desde 2000 e é considerado um dos melhores do país, na opinião do professor convidado Geraldo Wilson Fernandes, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Segundo ele, o método até é utilizado em outros cursos do país, mas o curso é especial “porque o Pantanal é muito interessante”. Geraldo disse também que o time de professores que a UFMS convida é muito experiente em relação às atividades de campo. “Eles sabem diagnosticar padrões e orientar os alunos. Tem muita gente experiente e pessoas novas sendo aglutinadas. Isso só fortalece o programa”, afirmou o professor.

Para ele, esse ritmo para as atividades de campo é necessário porque o tempo é limitado para tantos estudos interessantes. “Os alunos produzem com eficiência e ficam estimulados. Esse método tem muito mérito”, afirmou.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas no http://www.dbi.ufms.br/ecopan/index.htm.

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