A safra recorde dos principais países produtores de soja fez o preço do grão despencar neste ano e, até agora, jogou um balde de água fria no ritmo de atividade dos municípios brasileiros que têm o grão como a base da economia local. Em Mato Grosso do Sul a preocupação é com o estoque de milho que está sendo forçado a escoar para dar lugar à grande produção de soja.
Em Sorriso, no Mato Grosso, o quadro se repete. Na Via Norte, concessionária de veículos da GM, as vendas de carros para produtores rurais caíram 40% nos últimos dois meses, conta o operador da revenda Antonio Parola. Normalmente, nesta época do ano, os negócios com veículos zero quilômetro ficam aquecidos por causa da renda obtida com a safra de soja, porém com a grande produção, o preço do grão caí, o que pesa no bolso do produtor.
Isso é reflexo do recorde atingido em 2010, pois o Brasil terá neste ano uma produção de 67 milhões de toneladas de soja, maior safra da história. Graças ao clima favorável, a produtividade média foi recorde e atingiu 2 mil quilos por hectare, segundo dados da consultoria Safras &Mercado.
No Paraná, por exemplo, onde a safra já foi toda colhida, a saca de 60 quilos custava na última quinta-feira R$ 33,79, segundo o Centro de Estudos de Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz (Esalq). É uma cotação quase 30% menor que a registrada em igual período do ano passado.
Na expectativa de preços melhores, os produtores estão vendendo só o necessário para pagar as contas. Neste momento, apenas 25% da produção foi comercializada.
Nas projeções da RC Consultores, o quadro não é favorável para a soja e o milho. O preço em reais recebido pelo produtor brasileiro de soja neste ano deve recuar 13% em média em relação à cotação média de 2009.
No caso do milho, a perspectiva é de que o preço médio em reais pago ao produtor pela commodity caia neste ano 7% na comparação com a média registrada no ano passado.
Com informações do Agrolink.
Por: Ana Maria Assis (www.capitalnews.com.br)
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