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Reportagem Especial
Terça-Feira, 26 de Agosto de 2014, 08h:38
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Cidade Morena tem rica história no esporte desde o Mato Grosso Uno

Gilson Giordano - Capital News (www.capitalnews.com.br)

Especial de Aniversário de 115 anos de Campo Grande.

Falar do aniversário de Campo Grande a ser comemorado nesta terça-feira (26), sem abordar o esporte como um dos segmentos mais importante para alavancar a difusão da cidade e a inclusão da mesma no cenário nacional, ao longo dos seus 115 anos seria passar em branco.

De todas as modalidades praticadas esportivas na Cidade Morena, o futebol é claro, teve o seu lugar de destaque. Mas quase que paralelamente, outras modalidades também contribuíram para o engrandecimento do esporte na cidade, onde surgiram craques na acepção da palavra.

FUTEBOL

O futebol por ser o “carro-chefe” e de maior apelo junto aos torcedores tem o seu espaço especial. Desde o Uno Estado é a modalidade que além de ganhar o cenário nacional, teve ainda os seus personagens que marcaram épocas e fizeram histórias ou “estórias” nos anais. Dessa modalidade também saíram da Cidade Morena, craques que ganharam espaço e se tornaram reconhecidos no cenário nacional e até mesmo internacional.

O esporte de modo geral e em particular o futebol de Campo Grande pode ser dividido em dois momentos: antes e depois de Belmar Fidalgo e Elias Gadia. Depois deles que vieram as equipes de futebol amadora, pois as competições passaram a ser organizadas.

Fase de ouro do futeboal

Com a chegada de Irineu Farina ao Estado, ainda Mato Grosso e a profissionalização do futebol, a modalidade “disparou” e o Operário montou uma grande equipe chegando ao 3ª lugar em 1977.

O time era formado por jogadores da primeira linha do futebol brasileiro que com o surgimento de novos valores, foram ficando relegados a um segundo plano e eles descobriram um novo “El dorado” em Campo Grande.

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Time inesquecivel e até hoje não sai da memória dos torcedores, quando o Galo ficou em 3º lugar no Brasileiro de 1977
Foto: Divulgação/Operário FC

Para cá viera então, primeiro, o técnico Carlos Castilho e com o seu aval, os atletas foram chegando aos montes e entre eles, o inesquecível goleiro Manga, que gostava de ser chamado de Manjguinha, que depois voltou para brilhar no Internacional, o atacante Roberto César, que veio para acertar com o Comercial, mas em outra jogada de mestre de Irineu Farina, ele teve o caminho desviado para Avenida Bandeirantes, sede do Galo, Biluca entre outros astros do futebol e que marcaram época no time.

Depois de ter defendido o Operário, o zagueiro Biluca viveu momentos tensos, pois o mesmo foi apontado como um dos responsáveis na fabricação de resultados na loteria esportiva. Fato esse nunca comprovado e que em nada manchou a sua passagem pelo Operário.

Belmar Fidalgo

De acordo com as histórias  relatadas pelo escritor, advogado e engenheiro Jair Buchara Justiniano, pouco se sabe da história desse grande desportista. De certo mesmo, ele teria sido sargento do Exército da então 9ª região Militar. Um ferrenho defensor, batalhador e incentivador do esporte na cidade que depois se tornaria Capital do Estado de Mato Grosso do Sul. Morreu precocemente.

Elias Gadia

Não se sabe ao certo se ambos chegaram a se relacionar, mesmo porque Gadia também foi militar e m dos fundadores do bairro Taveirópolis.

A história de Elias Gadia é tão rica quanto a de Belmar Fidalgo, no entanto, mais rica em detalhes.

Elias Gadia um paulista que nasceu em 27 de junho de 1914 e antes de vir para Campo Grande onde serviria o Exército, jogou nas equipes da Ponte Preta, São Bento entre outras.

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Hoje modificado, o estádio Elias Gadia foi palco de grandes partidas de futebol no Estado
Foto: Divulgação/PMCG

Convocado para prestar o serviço militar veio para Campo Grande, onde logo apelidou os Campo-grandenses de “mandioqueiros”. Pelo sotaque e pela raiz existente em abundância.

Onde foi erguido o estádio que teve o seu nome como homenagem, ele ajudou a limpar o terreno, que pertencia ao fazendeiro Sebastião Taveira. Limpo, ele fez o campo de futebol com as medidas oficiais e a partir de então, começou a organizar campeonatos.

Após falecimento de Anivan, o “Taveira” sumiu

Fundado em 30 de julho de 1938, o E.C. Taveirópolis, mesmo nunca tendo sido campeão, deu muito trabalho aos dois maiores times de futebol de Mato Grosso do Sul.

Antes de ser extinto, o clube mandou os seus jogos no estádio Elias Gadia, que na ocasião tinha capacidade para 3 mil espectadores e sediou memoráveis partidas.

O nome do estádio é uma homenagem a Elias Gadia, um dos maiores nomes do esporte do Estado. Com o passar do tempo, o local perdeu estatus de estádio e foi transformado em uma praça de lazer para a comunidade.

Com o falecimento do seu último presidente Anivan Pereira da Rosa, o clube morreu também. Sem ele, a diretoria que assumiu fez como primeiro ato, pedir o licenciamento do mesmo junto à Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS), alegando falta de apoio e de patrocínio. O pedido foi feito pelo então presidente Wagner Luís dos Santos.

Até hoje o time continua licenciado e ao que tudo indica, dificilmente voltará às atividades futebolísticas.

Ajudou ainda nas criações das Ligas de Esporte Municipal Amador e da Esportiva Municipal Campo-grandense. Conforme  relata o  historiador Jair Justiniano Buchara.

Operário

Na época do amadorismo, foi também presidente do Operário, no entanto, a historia não diz se ele esteve na primeira reunião realizada na sede do Sindicato da Construção Civil, localizada até hoje na Rua Maracaju, ocasião em que Plínio Bittencourt ao lado do Miguel Turco, Carandá e os irmãos Levindo, Gregório e Paulo Ferreira, fundaram um clube cuja idéia inicial era a de proporcionar lazer para os trabalhadores e incentivados pelo fazendeiro Melanio Barbosa, entre outros, fundaram então o Operário Futebol Clube.

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Fundado no dia 21 ded junho de 1938, o Operário surgiu como uma das forças no Estado Uno Mato Grosso
Foto: Divulgação/Operário FC

Mato Grosso Uno

Na o Estado ainda não era dividido e as competições esportivas eram promovidas e organizadas pela Federação de Futebol de Mato Grosso, já com as participações do Operário e Comercial, na qualidade de profissionais.

Com a profissionalização as duas equipes da Capital ultrapassaram as de Cuiabá, e foram as primeiras a representarem o Estado de Mato Grosso, no Campeonato Brasileiro.

O Comercial foi melhor e por isso, participou da competição em duas ocasiões em 1973 e em 1975. O Operário, apenas em 1974.

História

Com a profissionalização do futebol na Capital, mas ainda pertencente ao Estado de Mato Grosso, chegaram à Campo Grande, Irineu Farina, que era um dos diretores da Loja Irmãos Marini.

A Loja faliu, mas Irineu em pouco tempo se tornou o mais tradicional diretor de futebol que o Estado Uno já teve. Era astuto, articulava tudo em prol do Operário e em função disso, são inúmeras as histórias ou estórias contadas pelos remanescentes da época.

Ao lado de Irineu, mas em Cuiabá, agilizando as “coisas” para os times daquele Estado, estava Lino Miranda, extremamente polêmico, folclórico. Talvez ele tenha se destacado mais que Farina pelo fato de ter dirigido duas equipes em Cuiabá: Misto e Dom Bosco. Feito esse que Irineu nunca aceitou, pois começou e encerrou como dirigente do Operário.

Lino é falecido e quanto a Irineu Farina, não se sabe ao certo do seu paradeiro.

Comercial time de glórias e tradições

Fundado no dia 15 de março de 1943, pelo desportista Etheócles Ferreira, o E.C. Comercial é uma das forças na modalidade no Estado. Na época do amadorismo, teve como palco principal, o então estádio Belmar Fidalgo, onde foi campeão invicto na Liga Campo-Grandense.

No começo, o elenco do colorado foi formado por jogadores que estudavam no Colégio Dom Bosco. Como amador, o time ficou 29 anos e se tornou profissional a partir de 1972. . A partir desta data, especialmente na década de 80, conquistou sete títulos de campeão do Estado de MS. O clube já foi campeão em dois Estados diferentes: Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul, que foram divididos a partir de 1979.

Mas antes das conquistas como equipe profissional, o colorado conquistou ainda os títulos de campeão amador nos anos de 1948, 1951, bicampeão nos anos de 1956 e 1957, em 1959, em 1964 e 1965, novamente bicampeões em 1967 campeão e em 1971 campeão no torneio seletivo e em 1972 o acesso para o Campeonato Brasileiro de 1973.

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No futebol amador, o Comercial conqistou vários titulos mantendo uma longa hegemonia
Foto: Arquivo/Comercial

A história do Clube se confunde com a do torcedor e historiador Walter da Silva Costa que mesmo mudando de cidade, pois morar em Sumaré, (SP), continuou torcendo pelo clube colorado.

Em 1994 ficou em 6º lugar na Copa do Brasil e na única edição do Torneio Centro Oeste ficou com a terceira colocação atrás apenas de Goiás e Gama que na época disputava a primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

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Com Alexanbdre Bueno, Bugre, entre outros, Comercial conquistou o título de 1982
Foto: Arquivo/Comercial

Enquanto Irineu Farina articulava tudo a favor do Operário, o Comercial tinha Renato Freire, igualmente astuto, mas não se sabe o porque que ele invariavelmente perdia para o seu adversário.

Causos da futebol

Nas “estórias” contadas pelos remanescentes da época, tem uma delas que é surrealista.

Ainda na época de Mato Grosso, em jogo no Morenão, decisão da temporada – não se sabe especificamente o ano – o Operário jogou com o time todo irregular e venceu o Comercial. É claro que foi uma festa da torcida e dos jogadores alvinegro que mesmo irregulares festejaram.

A súmula deveria ser levada para Cuiabá, no dia seguinte. Até tudo bem. Só que o responsável em levar a súmula do jogo foi de ônibus e o astuto Irineu, mandou um “emissário” de avião é claro que este chegou primeiro e do aeroporto foi direto para a rodoviária se encontrar com quem estava levando a súmula do jogo.

Na rodoviária, o emissário de Irineu se identificou como “agente da federação” e pegou de mãos beijadas a súmula do jogo, cujo prazo para entrega era tal como é até o momento, de 48 horas. Até hoje não se sabe onde o referido documento foi parar.

Cuiabá

Na disputa para saber quem era o mais astuto, em um jogo entre as equipes do Operário e Mixto (com x mesmo), o time cuiabano tinha um goleiro, - cujo nome será mantido em sigilo – que se preparava para casar e o Galo Campo-grandense precisava da vitória para alimentar as chances de chegar ao título.

Outro emissário foi para Cuiabá, tentar “por no bolso” – frase muito usada na época – o goleiro adversário que teria recebido uma proposta de CR$ 100 mil.

Ele prontamente recusou afirmando que a sua noiva veria o jogo e que ele até mesmo por questões morais e pela honestidade, não poderia fazer aquilo.

No dia do jogo, a partida das mais difíceis caminhava para um empate sem gols, até que um jogador do Galo, da meia luz acertou um chute rasteiro, mas fraco e o goleiro agachou para agarrar a bola e a danada, bateu no “morrinho artilheiro” e enganou o mesmo que ainda levou a fama de estar na gaveta.

Títulos

Operário e Comercial dividiram as atenções dos dois Estados e juntos somaram mais títulos que os times cuiabanos.

O Comercial foi campeão em 1970, 1972, 1975. E o Operário conquistou o título em 1.974, 1976, 1977 e 1978.

Depois da hegemonia do Comercial e do Operário, já com a Divisão do Estado e com a construção do Morenão, cuja inauguração aconteceu em março de 1971, com a vitória do Flamengo por 3 x1 diante do Corinthians, recentemente a partir do ano 2000, surgiu o Centro Esportivo nova Esperança (CENE), que nos últimos anos se tornou um dos maiores ganhadores de títulos na referida praça esportiva.

Sem os devidos apoios as duas das mais tradicionais equipes do Estado despencaram no ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O Comercial ocupa hoje a 187ª colocação com 150 pontos e o CENE, melhor colocado esta na 85ª com 700 pontos.

Quanto ao Operário, o mesmo não consta mais na lista de ranqueados da entidade,

OUTRAS MODALIDADES

Além do futebol, Campo Grande também ao longo dos seus 115 anos, ofereceu outras modalidades esportivas para o exigente torcedor.

Vôlei

Assim foi no vôlei, na década de 1980, quando a equipe da Copagaz treinada pelo técnico Murilo Amazonas encantou a todos apresentando a modalidade de alta classe.
O time tinha no seu sexteto jogadores com a qualidade técnica de Pampa e Carlão, que integraram a seleção brasileira.

Velocidade

Foi construído o Autódromo Internacional de Campo Grande, cuja pista se chama Orlando Moura, em homenagem ao idealizador do projeto. A pista foi aberta no dia 5 de agosto de 2001, para a realização de uma das etapas da Fórmula Truck, que recebeu um público estimado em 68 mil pessoas.

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Stock Car a mais imporante prova do automobilismo nacional já foi realizada no autódromo da Capital
Foto: Deurico/Arquivo CapitalNews

Além da Truck, o Autódromo até então apontando como um dos três melhores e mais seguro do país, também sediou provas da Stock-Car, Pick-Up Racing e Fórmula-3.
Kartódromo.

Antes da inauguração do Autódromo, o Kartódromo era o ponto de encontro dos amantes da velocidade e arrebatava grande número de torcedores tanto que em 1989, por ocasião da realização do Campeonato Brasileiro da modalidade, o piloto Rubens Barrichello, antes de ingressar na Fórmula 1, esteve no local, mas apenas como convidado.

Dessa modalidade surgiram os pilotos Alex Bachega, que conquistou o titulo de campeão sul-americano em 1993 e Karlos Fernandes, bi campeão brasileiro nos anos de 1994 e 1995.

No entanto, sem a devida revitalização para acompanhar as exigências impostas pelas mudanças nas regras e nos regulamentos, os dois locais foram perdendo espaço e aos poucos sendo esquecidos tanto que hoje não sediam mais provas de grandes portes.

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Kartódromo Ayrton Senna, hoje ultrapassado e esquecido, mas já foi local de inesqueciveis "pegas"
Foto: Divulgação/FAMS

 (13h14)

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