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Quinta-Feira, 12 de Maio de 2022, 09h:12
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Através da fé babá encontra forças para lidar com a Fibromialgia

Diagnosticada com a síndrome, Maria entrou em depressão, superou e hoje ajuda outras pessoas

Renata Silva
Especial para o Capital News

Arquivo pessoal

Através da fé babá encontra forças para lidar com a Fibromialgia

Ler a bíblia é rotina sagrada para Maria Querobina

Foi por meio da fé que a babá Maria Querobina Pereira de Souza, de 61 anos, encontrou forças para lidar com a Fibromialgia. Diagnosticada há 18 anos com a Síndrome, a babá chegou a entrar em depressão e a ter vontade de tirar a própria vida.

A Fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica, caracterizada por um quadro de dor muscoesquelética generalizada e fadiga. Além disso, pode causar distúrbios do sono, dificuldade de memória, concentração, dores de cabeça, distúrbios intestinais, transtornos de humor, entre outros.

A Maria conta que com ela, começou com as dores. A princípio, atribuía ao trabalho, na época, a profissão era de Cuidadora de Idosos, mas o tempo foi passando e a frequência das dores só aumentou. “Minha sobrinha trabalhava com Estética e então fazia algumas massagens com objetivo de aliviar, mas em vez de melhorar, piorava, foi então que ela me sugeriu a buscar ajuda” detalhou.

Arquivo pessoal

Através da fé babá encontra forças para lidar com a Fibromialgia

Com bom humor, Fernanda atende os pacientes no consultório


Era o início de uma longa jornada. Até chegar ao diagnóstico Maria passou por inúmeros médicos e realizou vários exames. “O diagnóstico consiste no descarte de outras doenças. A maior dificuldade é fazer com que o paciente aceite o resultado visto que não existem exames laboratoriais e nem de imagem que o comprovem”, explica a médica reumatologista Fernanda Arruda Borges.

Desafios na jornada
Após o diagnóstico, Maria iniciou o tratamento que, no início, incluiu internação e até o uso de morfina. Além disso, recebeu uma série de recomendações médicas para amenizar as dores como, por exemplo, deixar de lado coisas básicas do dia dia como fazer serviços domésticos e atividades que exigissem esforço

Mas a surpresa estava por vir. Embora já estivesse comprovada a síndrome, o que a babá não contava era ter de enfrentar o preconceito, a desconfiança das pessoas. “Ninguém acreditava no que eu estava sentindo. Muitas pessoas pensavam que era preguiça, frescura e que eu queria me aposentar” desabafa.

Maria entrou num estado profundo de depressão, ela conta que, tentou tirar a própria vida. “Certo dia eu estava tão angustiada que tomei medicamentos a mais e fui parar no hospital. Quase que não estou aqui hoje para contar minha história”, detalhou.

Após esse episódio a babá resolveu se apegar com Deus e mudar o olhar para a vida e buscar ajuda. “A Fibromialgia é uma doença que se não for tratada adequadamente pode acarretar inúmeros prejuízos para a vida profissional e pessoal do paciente. O apoio dos familiares e amigos é fundamental neste processo”, acrescenta a Médica Reumatologista.

A babá procurou médico Psiquiatra e hoje faz acompanhamento Multidisciplinar que inclui psicólogo, dermatologista e fisioterapeuta. Ela conta que ainda sente dores, mas bem mais leves das que sentia no início do diagnóstico, hoje é ela quem ajuda outras pessoas que tem dificuldades de compreender a doença. “Não é fácil passar por isso, não vou dizer que não fico triste, mas entendo que a fé cura, a fé te dá forças. É o que precisamos ter”, declara.

Dia 12 de maio
De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia 5% das pessoas no mundo tem Fibromialgia, sendo que 90% dos casos ocorrem entre mulheres. Dia 12 de maio o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento à Fibromialgia, cujo objetivo é dar maior visibilidade a Síndrome. No Brasil, estima-se que 4,8 milhões de pessoas têm fibromialgia, mas apenas 2,5% desse total recebem tratamento adequado.

Em Mato Grosso do Sul desde 2019 uma lei estadual e municipal garantem o direito ao atendimento prioritário nos estabelecimentos comerciais, de serviço e similares a pessoas com Fibromialgia. Para se fazer valer do direito é necessário estar sempre com um laudo original da doença e a lei em mãos.

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