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Política Sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026, 17:55 - A | A

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Anos depois

União Europeia avança em acordo histórico com Mercosul após 25 anos de negociações

Alemanha e setores empresariais celebram apoio da maioria dos países, enquanto resistência de alguns governos segue no bloco europeu

Elaine Oliveria
Capital News

Após 25 anos de negociações, o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul avançou de forma decisiva nesta sexta-feira (9), com apoio provisório da maioria dos Estados-membros do bloco europeu. A conclusão preliminar do entendimento foi comemorada pelo chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e por setores empresariais, embora o Conselho da União Europeia ainda não tenha anunciado oficialmente a assinatura.

Em publicação nas redes sociais, Merz classificou o acerto como um marco da política comercial do bloco. “O acordo UE-Mercosul é um marco na política comercial europeia e um forte sinal da nossa soberania estratégica e capacidade de ação”, escreveu. Para o chanceler, apesar do avanço, o processo foi excessivamente longo. “Isso é bom para a Alemanha e para a Europa, mas 25 anos de negociações foram muito longos – precisamos avançar mais rápido”.

A repercussão foi imediata em outros países. A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, também celebrou a formação de maioria favorável, mesmo com o voto contrário de seu país. “Estou emocionada! Finalmente, há uma maioria entre os Estados-membros da UE para [a assinatura] do acordo com o Mercosul”, afirmou. Segundo ela, o entendimento trará benefícios diretos à economia, aos negócios e à prosperidade europeia, além de reforçar a necessidade de ampliar parcerias comerciais em um cenário global de transformações.

Por outro lado, a resistência permanece em parte do bloco. De acordo com o ministro da Agricultura da Polônia, Stefan Krajewski, além de Polônia e Áustria, França, Hungria e Irlanda também se manifestaram contra o acordo. “Se a Itália estivesse do nosso lado, o acordo seria bloqueado”, afirmou. O ministro destacou ainda que seu país estuda mecanismos legais para proteger agricultores e garantir compensações ao setor produtivo.

A indústria europeia reagiu positivamente. Em nota, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea) considerou o apoio majoritário um “momento marcante” e um sinal de que a Europa pretende manter uma economia aberta e competitiva. Segundo a entidade, o acordo pode reduzir de forma significativa tarifas sobre automóveis europeus, hoje de até 35%, além de diminuir barreiras técnicas e fortalecer cadeias de abastecimento de matérias-primas estratégicas.

De acordo com a agência Reuters, os embaixadores dos 27 países da UE indicaram suas posições nesta sexta-feira, com prazo até o fim do dia para confirmação formal dos votos. Pelo menos 15 países, representando cerca de 65% da população do bloco, já teriam se manifestado a favor, número suficiente para viabilizar a assinatura.

Com a confirmação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar ao Paraguai na próxima semana para ratificar o acordo com os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O texto ainda precisará da aprovação do Parlamento Europeu para entrar em vigor.

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