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Política Sexta-feira, 19 de Junho de 2026, 17:08 - A | A

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Impacto

Marcelo Bertoni alerta para aumento da violência no campo e cobra soluções para o agro

Presidente da Famasul abordou conflitos fundiários, endividamento rural, cenário político e desafios do setor durante entrevista

Elaine Oliveira
Capital News

Reprodução

Marcelo Bertoni, no programa Tribuna Livre da Capital 95 FM

Marcelo Bertoni, no programa Tribuna Livre da Capital 95 FM

A escalada dos conflitos fundiários em Mato Grosso do Sul, o aumento da violência no campo e as dificuldades econômicas enfrentadas pelos produtores rurais pautaram a participação do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Marcelo Bertoni, no programa Tribuna Livre nesta sexta-feira (19).

Ao comentar os recentes episódios registrados em municípios como Sidrolândia e Amambai, Bertoni relacionou o agravamento das tensões ao cenário político e eleitoral. Segundo ele, o que antes eram disputas pontuais passou a envolver ações cada vez mais violentas.

“Hoje não estamos falando apenas de invasão. Estamos falando de queimar sede de fazenda, destruir patrimônio e maquinário. Isso é terrorismo”, afirmou.

O dirigente rural também criticou a falta de punição aos responsáveis por ataques em propriedades rurais e cobrou uma atuação mais efetiva das autoridades. Para ele, a sensação de impunidade contribui para a continuidade dos conflitos.

Apesar das críticas, Bertoni destacou que defende o diálogo e a construção de soluções para as demandas indígenas. Segundo ele, a busca por consenso tem sido uma de suas principais bandeiras dentro das discussões nacionais.

“Eu não sou contra os direitos dos povos originários. O que não podemos aceitar é negociar com conflitos acontecendo ao mesmo tempo”, ressaltou.

Durante a entrevista, o presidente da Famasul também abordou a situação de famílias retiradas de áreas no Pará e em Rondônia. Ele criticou a condução de alguns processos de desocupação e afirmou que decisões envolvendo comunidades tradicionais, ribeirinhos e pequenos produtores exigem sensibilidade social.

“Falta uma visão mais humanitária. Não se pode tratar pessoas que vivem há décadas em uma região apenas como números dentro de um processo”, declarou.

Na área econômica, Bertoni chamou atenção para uma realidade que, segundo ele, fica escondida pelos números recordes da produção agropecuária nacional. Embora o Brasil registre safras históricas, muitos produtores enfrentam sérias dificuldades financeiras.

“O recorde é da produção brasileira, não da conta bancária de cada produtor”, afirmou.

Ele explicou que diversas propriedades acumulam prejuízos provocados por eventos climáticos e pela alta dos custos de produção, enquanto os preços recebidos pelos produtores seguem pressionados.

Tribuna Livre - 19/06/2026

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