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Política Terça-feira, 22 de Setembro de 2026, 17:05 - A | A

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Nações Unidas

Lula defende soberania e rejeita interferência externa em discurso na ONU

Presidente afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e citou preocupação com ingerência em processos eleitorais

João Gabriel Vilalba
Capital News

Ricardo Stuckert

Presidente Lula discursa da Assembleia Geral da ONU

Presidente Lula discursa da Assembleia Geral da ONU

Durante o discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender, nesta terça-feira (22), a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos.

Segundo Lula, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, mas o Brasil precisa estabelecer parcerias com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou.

“Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, prosseguiu o presidente.

“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano.”

As declarações de Lula ocorrem em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos e a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para 4 de outubro. A relação entre os dois países também é afetada pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Lula disputa a Presidência da República com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi recebido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca durante viagem aos Estados Unidos em maio. A proximidade entre Trump e o principal adversário de Lula é um dos elementos presentes no contexto político mencionado pelo governo brasileiro ao tratar de possíveis interferências externas no processo eleitoral.

Interferência externa e tarifas

Durante o discurso na ONU, Lula voltou a defender que questões relacionadas ao processo eleitoral brasileiro sejam decididas pelos próprios brasileiros. O presidente também criticou as tarifas impostas pelos Estados Unidos e afirmou que o Brasil continuará buscando alternativas por meio do diálogo.

“A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos. Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas. Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações”, declarou.

A Assembleia Geral é o principal órgão de formulação de políticas da ONU e reúne representantes dos 193 Estados-membros. Durante o Debate Geral, chefes de Estado e de governo apresentam posições e prioridades sobre os principais temas internacionais.

Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar no Debate Geral da Assembleia Geral da ONU, posição mantida desde 1955. Neste ano, Lula foi seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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