Acontece nesta terça-feira (12), no Clube da Aeronáutica, em Brasília (DF), o Summit Bioceânica, evento que reúne autoridades, empresários, embaixadas e representantes internacionais para discutir os avanços e oportunidades da Rota Bioceânica. A iniciativa conta com apoio do senador Nelsinho Trad e do prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra.
Promovido pelo Instituto Vem Ser, o encontro deve reunir cerca de 300 convidados e busca colocar Mato Grosso do Sul no centro das discussões sobre logística, comércio exterior, integração regional e desenvolvimento econômico.
O termo “summit” significa encontro estratégico de alto nível. O evento conta com patrocínio oficial da Itaipu Binacional, responsável por financiar a Ponte Internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai — considerada um dos principais símbolos da Rota Bioceânica. O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, também participa do encontro.
A Rota Bioceânica conecta os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de um corredor rodoviário que atravessa Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. O trajeto começa em Porto Murtinho e segue até os portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, criando uma nova alternativa logística para mercados da Ásia, Oceania e Costa Oeste das Américas.
Segundo o senador Nelsinho Trad, o projeto representa uma oportunidade estratégica para Mato Grosso do Sul.
“A rota representa a chance de transformar posição geográfica em vantagem econômica. O Estado poderá se consolidar como uma plataforma de conexão nacional, redistribuindo produtos para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além de atrair indústrias, serviços logísticos, turismo, comércio e novos investimentos para os municípios”, afirmou.
Exportações e redução de custos
Dados do Comex Stat/MDIC apontam a China como principal destino das exportações sul-mato-grossenses, concentrando cerca de US$ 11 bilhões entre 2022 e 2026 — aproximadamente 37% do total exportado pelo Estado no período. A América do Sul aparece em seguida, com US$ 4,6 bilhões em exportações.
Estudo do Ministério das Relações Exteriores indica que cerca de 60% das cargas de Mato Grosso do Sul utilizam atualmente os portos de Santos e Paranaguá. Com a Rota Bioceânica, a expectativa é reduzir custos logísticos em até 40% em determinados fluxos comerciais, especialmente utilizando os portos do Pacífico.
Outro destaque é a redução no tempo de transporte internacional. Segundo estimativas apresentadas durante o Summit, o trajeto entre Antofagasta e Shanghai pode representar economia de aproximadamente 12 dias em comparação às rotas marítimas tradicionais.
Ponte internacional e investimentos
O evento acontece às vésperas do chamado “Beijo da Ponte”, marco simbólico da união física entre Brasil e Paraguai pela Ponte Internacional da Rota Bioceânica.
A obra, financiada pela Itaipu Binacional no lado paraguaio, possui investimento estimado em US$ 102,6 milhões. Segundo o prefeito Nelson Cintra, a estrutura representa um novo momento para a integração regional.
“A ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta é um dos principais marcos da integração física entre Brasil e Paraguai”, destacou.
O Summit conta ainda com representantes de 35 países, entre eles Japão, Coreia do Sul, Índia, Alemanha, Reino Unido, Paraguai, Argentina e Chile, além de integrantes da União Europeia e empresas como Meta e TikTok.
Recursos federais
Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Nelsinho Trad afirmou que já foram viabilizados R$ 516 milhões em recursos federais ligados à Rota Bioceânica até 2026.
“Também há previsão de R$ 99 milhões no Orçamento da União de 2026 para adequação do trecho entre Bataguassu e Porto Murtinho”, informou o senador.
Segundo ele, Porto Murtinho já começa a sentir os impactos econômicos do corredor internacional, com crescimento imobiliário, novos serviços logísticos e geração de empregos.
“A Rota vai abrir o caminho. O Summit é o momento de colocar Mato Grosso do Sul, seus municípios e suas potencialidades diante de quem pode transformar esse caminho em investimento, parceria e desenvolvimento”, concluiu.
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