Tânia Rego/Agência Brasil

O órgão não envia links, nem solicita confirmação de senhas ou códigos através do celular
A Prefeitura de Naviraí prepara um plano de prevenção para a Rede Municipal de Ensino após a morte de uma estudante de 13 anos, em julho. A medida ocorre após uma operação policial que desmantelou um grupo de extremismo on-line ligado ao caso. A ação prevê apoio psicológico aos alunos e orientação às famílias sobre segurança na internet.
O trabalho começou na escola onde a adolescente estudava, com acompanhamento dos colegas para ajudar no enfrentamento do luto. Segundo o prefeito Rodrigo Sacuno (PL), a equipe passou a observar o comportamento dos estudantes desde o retorno às aulas. “Inicialmente, foi feito um trabalho na sala que a estudante frequentava, um acompanhamento focado no comportamento e posicionamento dos estudantes em relação ao luto”, afirmou.
A Prefeitura também vai convocar pais de alunos do 6º ao 9º ano para palestras e reuniões nas escolas. O objetivo é orientar os responsáveis sobre o uso seguro da internet e apresentar ferramentas de controle parental. “Vamos mostrar aos pais que existem dezenas de jogos, mas também existem aplicativos e ferramentas para acompanhar os acessos, ver com quem estão conversando e limitar o tempo de permanência nessas redes”, disse Sacuno.
As investigações apontaram que o grupo usava plataformas como Discord e Telegram para disseminar ideologia neonazista, misoginia e discurso de ódio. Segundo a delegada Anne Karine, da Depca, adolescentes em situação de vulnerabilidade eram atraídas e submetidas a práticas de dominação, violência e automutilação. “Entre as tarefas dadas, elas tinham de se automutilar e deixar os nomes dos ‘donos’ no próprio corpo”, relatou.
A adolescente foi encontrada morta pela mãe e pelo padrasto na varanda da casa onde morava, em Naviraí, no dia 22 de julho. Conforme as investigações divulgadas na época, ela participava de um grupo no Discord e teria sido pressionada a praticar atos de violência contra animais e, posteriormente, contra si mesma. O servidor foi derrubado após denúncias feitas pelo Carpe Diem, grupo de hackers éticos que auxilia a polícia.
O Discord afirmou, em nota, que não tolera grupos extremistas e que mantém equipes para combater conteúdos que violem suas regras. A plataforma também disse ter colaborado com as autoridades brasileiras no caso. “Neste caso, o Discord compartilhou proativamente informações com as autoridades que contribuíram para as operações que resultaram na prisão dos envolvidos”, informou a empresa.
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