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Arquitetura

Edifício José Abrão é tombado como patrimônio histórico de Campo Grande

Construído em 1939, prédio que abrigou o antigo Hotel Americano passa a ter proteção oficial do patrimônio histórico

João Gabriel Vilalba
Capital News

Após anos de análises técnicas, vistorias e disputas judiciais, um dos maiores ícones arquitetônicos de Campo Grande é, oficialmente, patrimônio histórico da Capital. A informação foi confirmada após a prefeitura de Campo Grande assinar o decreto que oficializa o tombamento do Edifício José Abrão. O texto foi publicado no Diário Oficial desta segunda-feira (16).

O prédio está localizado na esquina das ruas 14 de Julho e Marechal Cândido Mariano, no Centro da cidade, e é considerado um dos exemplos mais expressivos da arquitetura art déco da Capital. O local guarda uma memória afetiva para os campo-grandenses mais antigos, que lembram do antigo “Hotel Americano”, criado na década de 1940.

De acordo com o texto de decreto nº 16.575, a medida visa preservar o espaço que simboliza a história da cidade. O tombamento protege o prédio e também o lote onde ele foi construído, impedindo alterações que possam comprometer suas características originais.

Com o tombamento, qualquer intervenção na estrutura do prédio passa a depender de autorização da prefeitura. Reformas, reparos, pinturas, restaurações ou modificações estruturais deverão ser previamente analisadas pelos órgãos municipais responsáveis pela preservação do patrimônio. A proteção recai especialmente sobre a cobertura e as fachadas do prédio, consideradas elementos fundamentais da composição arquitetônica.

Caso as alterações ocorram sem autorização, o responsável poderá ser obrigado a reconstruir ou restaurar o que foi danificado, além de pagar multa que pode chegar ao dobro do valor do dano causado ao imóvel.

Ainda de acordo com o decreto, a prefeitura tem autorização para criar uma área de proteção no entorno do edifício. O espaço preservado deve incluir imóveis vizinhos localizados nas ruas 14 de Julho e Marechal Cândido Mariano Rondon, nas quadras imediatamente próximas ao prédio histórico. Dentro dessa área passam a existir restrições urbanísticas destinadas a preservar a visibilidade e o destaque do edifício na paisagem urbana.

Entre as limitações citadas no texto estão a proibição de construções que ultrapassem a altura do prédio tombado ou que bloqueiem sua visualização. Também ficam proibidos anúncios publicitários, painéis ou cartazes no entorno imediato, além do uso de cores em fachadas que disputem visualmente a atenção com o edifício histórico.

Construído em 1939, o imóvel tem três pavimentos e ocupa uma das esquinas mais tradicionais, localizada no coração de Campo Grande. O edifício foi projetado em um momento em que a cidade começava a consolidar seu perfil urbano e arquitetônico, representando uma aposta na modernização da paisagem central.

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