O Atlas das Rotas Migratórias das Américas foi lançado durante a COP15, em Campo Grande (MS), e permite acompanhar 622 espécies de aves migratórias com detalhes inéditos. A ferramenta é pioneira no continente e oferece dados estratégicos para a conservação.
Segundo João Paulo Capobianco, secretário-executivo do MMA e presidente da COP15, "o Atlas revela áreas-chave e rotas que precisam de proteção, fortalecendo a cooperação entre os países das Américas".
A plataforma foi desenvolvida pela CMS em parceria com o Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell e utiliza informações do eBird, baseadas em observações de cidadãos. "A ciência cidadã é essencial para transformar dados em ações de conservação", destaca Amy Fraenkel, secretária-executiva da CMS.
O Atlas identifica onde as aves se reproduzem, passam o inverno e os corredores que utilizam para migrar. Estima-se que quase metade das áreas vitais ainda não esteja protegida, o que representa um desafio urgente para gestores ambientais.
Dos 622 espécies monitoradas, 33 estão globalmente ameaçadas, e algumas aves costeiras apresentam queda populacional severa. "Sem medidas coordenadas entre países, essas espécies correm risco grave", alerta Iván Ramirez, da CMS.
O Brasil se mostra estratégico, pois abriga rotas importantes, incluindo Atlântico, Pacífico e Interior. "Proteger essas rotas exige colaboração internacional e dados precisos", afirma Fraenkel.
O Atlas também serve como ferramenta de planejamento. Governos podem usar os mapas para priorizar áreas de conservação, criar corredores ecológicos e integrar políticas públicas de forma mais eficiente.
• Saiba mais sobre a COP15 em Campo Grande
Capobianco reforça que "a cooperação não é opcional: é essencial para garantir que as aves migratórias continuem cruzando as Américas em segurança". A plataforma, segundo ele, é um marco para transformar informações científicas em decisões concretas.
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