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Polícia Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008, 07:49 - A | A

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008, 07h:49 - A | A

PF desencadeia mais uma operação em MS e outros sete estados

Da redação (LM)

A Polícia Federal desencadeia nesta sexta-feira (12) no Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Maranhão, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal, a "Operação Aracne", com o objetivo de desarticular uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de cocaína.

Cerca de 400 policiais federais cumprem, em 29 municípios, 52 Mandados de Prisão Preventiva e 73 Mandados de Busca e Apreensão, ordens judiciais estas expedidas pelo Juízo da 5ª Vara Federal, Seção Judiciária de Mato Grosso, em atendimento a uma solicitação realizada pela Polícia Federal.

A investigação, realizada pela Delegacia de Polícia Federal instalada na cidade de Barra do Garças/MT e iniciada em setembro de 2007, descortinou um esquema voltado ao tráfico de pasta base de cocaína em larga e profusa escala. De acordo com a PF so entorpecente era fornecido à organização criminosa por dois cartéis de narcotraficantes bolivianos, os quais internavam a droga no território nacional com a utilização de aeronaves.

Uma vez no território nacional a substância proscrita era armazenada em diversas fazendas localizadas nos municípios de Campo Novo do Parecis/MT, Tangará da Serra/MT e Nova Maringá/MT, que funcionavam como entrepostos de cocaína, e, posteriormente, redistribuída, com a utilização de caminhões, para cinco núcleos criminosos, os quais atuavam nos Estados de Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Maranhão, Minas Gerais e no Distrito Federal.

A partir de então, referidos núcleos criminosos, que contavam, individualmente, com a colaboração de grande número de pessoas, organizadas para traficar cocaína, desde sua aquisição, passando pelo transporte e redistribuição, e, finalmente, na comercialização final da droga, mediante ações que se interligavam e se complementavam, processavam a pasta base de cocaína e redistribuíam a substância ilícita a diversos traficantes menores, os quais, por sua vez, a revendiam aos usuários da droga.

Lavagem de dinheiro

A última fase consistia na realização de operações típicas da denominada "lavagem de dinheiro", inclusive, com a utilização de grande número de interpostas pessoas - "laranjas", a fim de dissimular a origem e movimentação, bem como dificultar o rastreio, pelos órgãos de fiscalização, dos lucros obtidos com a comercialização da cocaína. Alguns dos investigados praticavam, ainda, evasão de divisas.

Oportuno destacar que, de acordo com as investigações, a maior parte da substância entorpecente internada no território nacional pelo consórcio criminoso ora desmantelado tinha como destinatário o Primeiro Comando da Capital, mais conhecido pela sigla "PCC", facção criminosa que foi concebida em estabelecimentos prisionais do Estado de São Paulo e que, atualmente, opera em diversas Unidades da Federação, sobretudo no tráfico de drogas e em assaltos a bancos, além de promover ações que, em última análise, podem ser definidas como atos típicos de terrorismo.

Os trabalhos investigativos resultaram na lavratura de 10 (dez) autos de prisão em flagrante delito, com a prisão de 17 (dezessete) investigados e apreensão de, aproximadamente, 3 toneladas de pasta base de cocaína, o que evidencia o poder de lesividade do grupo, o qual acarretava significativos danos e prejuízos à sociedade como um todo.

Nos últimos 9 meses, de acordo com a PF, o grupo conseguiu efetuar a entrega de, no mínimo, 15 toneladas de pasta base de cocaína, sobretudo no Estado de São Paulo. Além das prisões e buscas, a Justiça, a pedido da Polícia Federal, decretou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, bem como o seqüestro e indisponibilidade dos seus bens, direitos e valores (imóveis urbanos e rurais, empresas, aeronaves, automóveis, saldos de contas bancárias, dinheiro em espécie, jóias, etc.).

Crimes

Os investigados, inclusive os que ainda estão sendo procurados, responderão pelos crimes de tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico (arts. 33, caput, e 35, caput, c/c art. 40, I, da Lei n° 11.343/2006), com penas que podem ultrapassar 25 anos de reclusão.

Além disso, alguns dos envolvidos responderão por lavagem de dinheiro (art. 1º, incisos I e VII, da Lei nº 9.613/98), evasão de divisas (art. 22, parágrafo único, da Lei nº 7.492/86), e corrupção ativa (art. 333 do Código Penal), cujas penas, somadas, podem alcançar 28 anos de reclusão, sendo que os presos, após serem interrogados, serão recolhidos ao Presídio Pascoal Ramos, localizado na cidade de Cuiabá/MT, onde permanecerão à disposição da Justiça Federal. (Folha Online)

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