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Polícia Terça-feira, 25 de Novembro de 2008, 13:49 - A | A

Terça-feira, 25 de Novembro de 2008, 13h:49 - A | A

Operação da PF desmonta esquema de fraude em importação de mercadorias

Redação Capital News (www.capitalnews.com.br)

A Polícia Federal prendeu na manhã de hoje (25), no Rio de Janeiro, treze pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de fraude em importação de mercadorias vendidas pelo grupo varejista Casa & Vídeo.

Entre os detidos estão Luigi Fernando Milone e Attílio Milone, apontados como sócios da empresa. De acordo com estimativa da Receita Federal, o grupo pode ter sonegado R$ 100 milhões em impostos nos últimos dois anos. Um acusado está foragido.

A Operação Negócio da China, realizada em conjunto pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal, foi deflagrada com o objetivo de cumprir, além dos 14 mandados de prisão temporária, outros 21 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

De acordo com o superintendente da Polícia Federal no Rio, Valdinho Jacinto Caetano, até o fim do dia, devem ser apreendidos, em diversos depósitos, materiais importados por meio do esquema fraudulento suficientes para lotar 80 carretas e oito carros blindados.

Durante as investigações, iniciadas há cerca de dois anos, a polícia verificou que o grupo fazia um planejamento de compras com exportadores da China. Essas mercadorias eram importadas por outras empresas ligadas à rede varejista, sem pagar os impostos que incidem neste tipo de operação, como o Imposto por Produto Industrializado (IPI). Além disso, o valor que constava nas notas fiscais pela importação das mercadorias era subfaturado.

“Como não poderia importar diretamente esse material, a empresa utilizava várias outras , que na realidade eram extensões da própria rede, efetuava as compras e pagava o preço acertado com o exportador que emitia notas com preços subfaturados. Dessa forma, a rede varejista sonegava os impostos que recairiam sobre o valor cheio das mercadorias”, explicou a superintendente regional da Receita Federal, Eliana Polo Pereira.

Ela informou que a identificação dos responsáveis pelo esquema foi dificultada porque os donos das empresas envolvidas no esquema são na verdade outras empresas que têm sede nas ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal.

“É um emaranhado de empresas que torna difícil identificar quem são os verdadeiros donos”, afirmou.

A superintendente revelou, ainda, que os recursos para a compra dos produtos também vinham do paraíso fiscal, o que configura lavagem de dinheiro. As investigações ainda não permitiram apontar, no entanto, a origem desses recursos, que, segundo a PF, provavelmente também é ilícita.

Ainda de acordo com Eliana Polo Pereira, os sócios das empresas envolvidas no esquema eram remunerados por meio do pagamento de trabalhos não prestados com emissão de notas frias. “Esse montante entrava na contabilidade da empresa que poderia ainda abater dos impostos devidos”, acrescentou.

Os acusados, que estão presos na sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio, e devem ser transferidos ainda hoje (25) para o presídio de Água Santa, na zona norte da cidade, podem ser indiciados por sonegação fiscal, formação de quadrilha, descaminho, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

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