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Os erros de visão política de Lula levaram à sua derrota no primeiro turno

Por Júlio César Cardoso*

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Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

A derrota de Lula no primeiro turno para Flávio Bolsonaro expôs os equívocos na condução da campanha do partido. Que Lula errou ao desistir de participar do último debate político na Rede Globo é apenas um exemplo de como a estratégia não soube explorar de forma contundente temas delicados como: a postura negacionista em relação às vacinas e às mortes durante a pandemia; o envolvimento de Flávio com Vorcaro; a prisão de Bolsonaro e militares pela tentativa de golpe; e a baixa produtividade do governo Bolsonaro. Em resumo, a campanha não enfrentou com firmeza a família Bolsonaro.

Por outro lado, a derrota também escancarou erros de governo. Em plena véspera de eleição, foi apresentada a proposta de mudança da escala 6x1 — típica de pensamentos retrógrados da velha pelegada sindicalista — quando, na iniciativa privada moderna, deveriam prevalecer acordos diretos entre patrão e empregado. Soma-se a isso a atualização intempestiva e eleitoreira do Bolsa Família. Outro equívoco grave foi a atuação tímida diante da insegurança pública, hoje considerada um grande problema nacional. O avanço das facções criminosas, como o Comando Vermelho, que se espalham pelo país e se infiltram nas instituições, não foi enfrentado com a devida firmeza.

Mais grave ainda: Lula não teve coragem de realizar a reforma administrativa, essencial para cortar gastos e desperdícios na máquina pública, inchada de comissionados e mordomias. Em vez disso, aumentou tributos, penalizando quem produz e investe. Não houve proposta para reduzir o número de parlamentares nem para acabar com o empreguismo sem concurso nos gabinetes. Também faltou iniciativa para propor uma reforma constitucional que eliminasse a indicação política de ministros do STF, que deveriam vir exclusivamente da magistratura, com mandato fixo de dez ou quinze anos, sem recondução.

O discurso de que “foi o governo que mais construiu universidades e que agora pobres e negros podem ser doutores” soa insuficiente. Primeiro, quem governa por mais de 15 anos tem obrigação de entregar resultados. Segundo, muitos desses doutores estão desempregados, quando o correto seria ter investido mais em ensino técnico profissionalizante de qualidade. Além disso, por que nunca indicou uma mulher para o STF? Em mais de 15 anos no poder, Lula também não conseguiu erradicar a miséria. Basta percorrer periferias ou o interior do Maranhão para constatar a realidade.

Moral da história: Lula se comportou de salto alto, acreditando ser uma unanimidade e que venceria facilmente. Esqueceu que o PL se organizou para derrotá-lo. O resultado está aí: muitos candidatos do PL eleitos e um “poste”, representante da família Bolsonaro, que o derrotou no primeiro turno e caminha para governar lamentavelmente o país.


*Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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