O plástico, a principal matéria-prima das embalagens, é uma excelente solução econômica. Mas constitui um problema ambiental, pois não é biodegradável. Estima-se que o plástico leva cerca de 400 anos para se decompor, enquanto a reciclagem deste material não chega a 25%, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). O Brasil é o 4º maior produtor de plástico do mundo. Calcula-se que 9 bilhões de toneladas de plásticos tenham sido despejados no meio ambiente nos últimos 50 anos. Por isso, o seu acúmulo no meio ambiente, tornou-se um risco para o planeta e para as indústrias de embalagens.
A busca pela sustentabilidade ambiental gera pressão quanto a melhoria de inovações no setor da transformação do plástico, além de iniciativas que procuram substituí-lo. O objetivo é conquistar produtos que se decomponham facilmente na natureza e não deixem resíduos, são os chamados produtos biodegradáveis. Contudo, a matéria-prima utilizada nestes, pode também ser utilizada em alimentos, gerando uma competição indesejada entre os setores, além do custo que ainda é alto.
Dentre as embalagens, pode-se destacar as sacolas de mercado. Neste sentido, as regulamentações governamentais geram riscos e oportunidades ao setor, a exemplo do que aconteceu com a indústria de extintores em 2015, quando o item deixou de ser obrigatório nos carros, gerando falências de empresas do ramo. Segundo a Agência Brasil, mais de 60% das capitais brasileiras proíbem o uso deste tipo de embalagem plástica nos mercados, substituindo-as por equivalentes retornáveis ou biodegradáveis, porém estas iniciativas ainda caminham a passos lentos.
Neste cenário desafiador, é imprescindível que os empresários do setor juntamente com o governo foque no inimigo comum: o acúmulo de plástico na natureza. A reciclagem parece ser o caminho mais promissor. Para tanto, o governo e a iniciativa privada poderiam intensificar ações a fim conscientizar a coleta seletiva de lixo e fomentar incentivos fiscais, para ampliar o setor industrial, como sugere o Dr. Marcelo Farina de Medeiros, advogado, especialista em direito ambiental “os produtos reciclados poderiam ter seus impostos zerados (...) poliéster, por exemplo, é feito de garrafa Pet, que já passou por toda cadeia de impostos antes”.
Assim sendo, há um espaço gigantesco para ampliação de novos negócios, empregos e geração de renda, com a sustentabilidade do meio ambiente mais garantida. Afinal, são mais de bilhões de toneladas de plásticos que poderiam ser convertidas em matéria-prima para as embalagens que hoje poluem a natureza. Com incentivos fiscais e a coleta seletiva de lixo ampliada, pode-se encontrar o famigerado avanço sustentável, com o equilíbrio entre a natureza e o setor industrial.
*Walter Roque Gonçalves
Professor ABS/FGV, consultor de resultados | CRA 144.772 | Contato: (18) 99723-3109 | e-mail: [email protected]
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