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Quinta-Feira, 15 de Abril de 2021, 07h:00
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Os ministros do STF vivem em outro mundo

Por Antonio Tuccilio*

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Mais uma estatística que choca. Em apenas quatro anos o Supremo Tribunal Federal (STF) gastou cerca de R$ 23 milhões somente com mordomias e penduricalhos. Entre eles, auxílio moradia, passagens aéreas e ajuda de custo. Sim, ajuda de custo. Além do salário básico, de cerca de R$ 39 mil reais, cada um dos 11 magistrados tem ajuda de custo e vários outros auxílios.

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Antonio Tuccílio - Artigo

Antonio Tuccílio

 

Levantamento divulgado pelo portal Contas Abertas mostra que os juízes do STF têm direito a ida e volta em passagens aéreas, e também aponta que o gasto com tais passagens somaram R$ 5,4 milhões e as diárias em hotéis, outros R$ 8 milhões. Parte dessa quantia, mais precisamente R$ 866 mil, em viagens para o exterior. Isso em apenas quatro anos. Sem contar a alimentação, que os ministros dispõem do melhor que o dinheiro pode oferecer, lagostas, vinhos caros...a compra desse menu em 2019 custou o valor de R$ 481 mil.

Em 2018 (ano da última Copa do Mundo), a passagem para São Petesburgo, na Rússia, do ministro Dias Tóffoli custou R$ 48 mil. Uma só viagem. Foram R$ 4,2 milhões em auxílio moradia durante esse período. Mesmo tendo apenas 11 ministros no STF, os números são exorbitantes. Fora o pequeno detalhe: os juízes têm à sua disposição mais de 3 mil funcionários para auxiliá-los. É muito dinheiro.

Para quem lida com a Justiça diariamente, me pergunto se Suas Excelências acham justo gastar essas quantias exorbitantes enquanto a expressiva maioria da população sofre as graves consequências da pandemia. Muitos até passam necessidades. Não há leitos de hospitais para doentes e, o que ouvimos de quem deveria nos ajudar é que “não há verba o suficiente”. Mas a solução é gastar milhões com passagens aéreas, hospedagens e auxílio moradia? Não me parece.

Deixo aqui uma proposta aos nobres ministros do STF, que também vale para os deputados federais. Que tal reduzir todas essas benesses em pelo menos 50% durante o período da pandemia? Com essa medida simples, sobraria verbas para a saúde, a segurança pública e a educação, contribuindo para melhorar a situação do país. O que seria pouco para os ministros faria uma enorme diferença para milhões de brasileiros.

Deixo meu apelo aos ministros. É hora de pensar no próximo, não em viagens na primeira classe e vultosas verbas indenizatórias. Vivemos um período extremamente e gestos como esse salvam vidas.

 

 

*Antonio Tuccilio

Presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

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