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Nacional Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008, 07:14 - A | A

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008, 07h:14 - A | A

Daniel Dantas lidera \'organização criminosa\', afirma relatório da PF

Da Redação (JG)

O Ministério Público Federal prepara mais uma denúncia contra os principais investigados na Operação Satiagraha, baseada em um novo relatório da Polícia Federal. O delegado que assumiu o inquérito vê indícios de crimes financeiros e formação de quadrilha.

O relatório é asssinado pelo delegado Ricardo Saadi, diretor de combate a crimes financeiros da Polícia Federal, em São Paulo. Ele assumiu o inquérito contra Daniel Dantas e o grupo Opportunity depois da saída do coordenador da Operação Satiagraha, delegado Protógenes Queiroz. Sob novo comando, a investigação se concentrou em documentos apreendidos no dia da operação e em depoimentos de testemunhas.

Organização criminosa

No relatório, o delegado Saadi afirma: depois do que foi analisado, pudemos constatar que Daniel Valente Dantas lidera uma organização criminosa. O novo delegado atribui ao banqueiro Daniel Dantas os crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha.

No relatório, Ricardo Saadi diz que precisa de mais tempo pra terminar o inquérito. Ainda falta analisar informações do grupo que foram recolhidas de computadores e estão protegidas por senhas.

No relatório, o delegado diz que o grupo Opportunity cresceu nos anos 1990, quando criou fundos para comprar empresas de telecomunicações, no processo de privatização.

O delegado escreveu que durante a gestão das empresas arrematadas, houve desvio de recursos das companhias. Diz ainda que parte dos recursos da gestão fraudulenta foi lavada através da compra de fazendas e de gado e também em terrenos para a exploração de minério.

 

Evasão de divisas

Um dos fundos do grupo, o Opportunity Fund, está registrado nas Ilhas Cayman, paraíso fiscal no Caribe. De acordo com o delegado, a existência de clientes brasileiros nesse fundo seria completamente irregular.

 

O fato, segundo ele, foi comprovado por diversas fontes, inclusive doleiros. "Esses doleiros confirmaram que brasileiros residentes no país enviaram recursos para o exterior, e isso era proibido à época. Na verdade, portanto, essas pessoas confirmaram a prática do crime de evasão de divisas", afirma o Procurador da República Rodrigo de Grandis.

Em outro trecho, o novo coordenador da investigação escreve: a organização criminosa liderada por Daniel Dantas usa corrupção e intimidação para alcançar seus objetivos. Entre os exemplos, cita o que chama de tentativa de corromper um delegado federal. Parte da negociação de US$ 1 milhão foi gravada num restaurante.

O delegado também diz que pessoas influentes servem a organização de Dantas: um dos nomes destacados por Ricardo Saadi foi o do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal pelo PT. Os chamados lobbystas, segundo o relatório, tinham como função principal obter informações de interesse do grupo e fazer contatos com pessoas importantes, inclusive politicos e integrantes do governo.

Outro lado

O advogado de Daniel Dantas, Nélio Machado, nega todas as acusações, e diz que a investigação está comprometida. “Tudo o que de errado foi feito pelo doutor Protógenes se extende no tempo e se irradia pela causa. O doutor Saadi, por mais bem-intencionado que ele seja, não pode inventar os fatos. O que eu vi no relatório dele foi uma conclusão aligeirada, sem profundidade nenhuma, e eu demonstrarei no momento oportuno todas as equivocidades, os vazios, inconsistências e incongruências destas novas meias-verdades que se propagam tentando transformá-las em verdades plenas”, afirmou ele.

O advogado de Protógenes Queiroz afirmou que toda a investigação feita pelo delegado se baseou na lei. O ex-deputado federal Luis Eduardo Greenhalgh disse que, no momento oportuno, vai contestar a inclusão do nome dele no relatório da polícia. (G1)

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