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ENTREVISTA Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010, 16:19 - A | A

Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010, 16h:19 - A | A

Superintendente da Conab, Sérgio Rios, fala sobre expectativas para as próximas safras e crescimento do setor agrícola em MS

Ana Maria Assis - Capital News

Alfredo Sérgio Rios é superintendente, em Mato Grosso do Sul, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ele recebeu o Capital News na Superintendência Regional do órgão e fez uma retrospectiva de 2009 na área do agronegócio, falou sobre as expectativas para os próximos levantamentos de safra e também os destinos para a produção de soja em 2010, que deve ser ainda maior na próxima safra, chegando à marca de cinco milhões de toneladas no Estado.

Sérgio comenta que o Estado ainda tem muito a crescer em vista de sua potencialidade agrícola e pecuária, mas que, para que isso ocorra é preciso investir em infraestrutura. O superintendente apontou também que um caminho para o agricultor é renovar áreas degradas pela pecuária, e que o reflorestamento ou a plantação de cana-de-açúcar não influenciam na produtividade do setor agrícola.

Confira a entrevista

Capital News: Como foi o quadro de investimento para pequenos agricultores por parte do governo Federal em 2009 e qual a previsão para 2010?

Alfredo Sérgio Rios: Para falar de orçamento e investimento em pequenos produtores temos que dividir em duas vertentes: os investimentos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA); ambos programas do Governo Federal. Nos últimos anos, os recursos têm aumentado significativamente, tanto na agricultura como na pecuária. Nas atividades desenvolvidas pela Conab se destacou em 2009 o fortalecimento da agricultura familiar. Houve um aumento na produção dos assentamentos da reforma agrária. Isso podemos ver nas culturas de milho e feijão. A compra com doação simultânea colaborou com esse crescimento, pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

Capital News: Em relação aos leilões de produção realizados pela Conab, há algo previsto para os próximos meses?

Sérgio: Existem dois tipos de leilões, tem aqueles para compra de cesta básica para indígenas, acampados e quilombolas e aqueles que fazemos por contrato que firmamos quando há necessidade de intervenção do Estado para escoamento da produção. No momento, não há leilão com data certa prevista, mas acredito que a partir de fevereiro haja leilão de trigo, pela necessidade de escoamento da produção, para abrir espaço para a produção de soja, que tende a aumentar.

Capital News: Qual o ponto marcante do último levantamento de safra, o primeiro divulgado em 2010?

Sérgio: O crescimento da soja. Os valores da última produção brasileira de soja chegam a 57 milhões de toneladas, e a previsão é ainda maior, de 65 milhões. Não pelo aumento de área de produção, que continua quase a mesma, mas pelo aumento da produtividade devido ao clima favorável e a utilização da tecnologia disponível. No MS a produção deverá ser próxima a cinco milhões de toneladas.

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Equipe do Capital News foi atendida na superintendência regional da Conab
Foto: Nadia Nadalon/Capital News

Capital News: Para receber essa produção será preciso tomar alguma providência em relação à armazenagem?

Sérgio: Para a armazenagem da produção de soja esperada será preciso fazer o escoamento de parte da produção de milho que está armazenada, para que haja lugar para toda a produção, evitando possíveis prejuízos ao agricultor. Esse prejuízo é relacionado a questões técnicas como o armazenamento em um silo de outra cidade que não a de origem da produção. A comercialização da safra da soja está mais lenta, é necessário então que o produto fique mais tempo no armazém, e conforme as opções de armazenamento o agricultor terá de encontrar opções que resolvam melhor a questão, talvez pagando um pouco mais pelo frete da produção até outra unidade armazenadora disponível.

Capital News: Como está a situação da produtividade em Mato Grosso do Sul nessa safra comparada à anterior?

Sérgio: Em MS a produção de grãos cresceu 19,7% em relação à safra anterior, sendo que no Brasil esse número é de 4,6%. A área plantada permanece praticamente a mesma, mas os fatores que influenciaram na produtividade foram o clima, principalmente, e as tecnologias utilizadas para a produção. Em um comparativo com as safras anteriores, estamos com maior produtividade em função das perdas pela falta de chuva, que ocorreram no semestre passado, e também pelos fertilizantes estarem cerca de 40% mais baratos que nas safras anteriores.

Capital News: De acordo com os dados dos levantamentos, pode-se dizer que questões como o reflorestamento podem influenciar na produção ou na área de cultivo?

Sérgio: Sobre isso não vejo impacto na produção do Estado. Os solos aptos para agricultura ficam no Centro-Sul e no Centro-Norte do Estado. O reflorestamento não interfere por ser explorada em solos arenosos e áreas degradadas de pecuária, e a cana pode interferir mas não influencia, pois há muito espaço e o que aconteceu foi um rearranjo na área ocupada pela soja e milho.

Capital News: Em uma revisão geral os números do levantamento da última safra foram positivos?

Sérgio: A produção cresceu, mas os números não foram positivos em relação à área cultivada, pois não teve aumento significativo e não se compara ao aumento da produtividade. O clima favorável foi o maior responsável pela produção. O produtor não tem recursos disponíveis para promover o crescimento da atividade, devido à dívida agrícola contraída ficou limitado a falta de acesso ao crédito. O aumento de área cultivada através da renovação de áreas degradadas da pecuária é um caminho a ser seguido pelo agricultor. O estado tem ainda muito a crescer, a pontencialidade em aumentar a produção agrícola e pecuária depende de investimento em infra-estrutura do estado para dar suporte a cadeia produtiva.

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Para Sérgio Rios, reflorestamento não influencia em área agrícola
Foto: Nadia Nadalon/Capital News

Capital News: Por causa da grande produção de soja, que o senhor comentou, a armazenagem preocupa?

Sérgio: A armazenagem é sim uma preocupação nossa para a próxima safra. A nossa capacidade estática é para 6,8 milhões de toneladas de produção. De milho estamos ocupando 700 mil. Pode ser que em alguns pontos, onde a produção de soja vai crescer, possam existir alguns problemas técnicos para o armazenamento dessa produção. Nada comparado aos problemas de armazenamento de Mato Grosso, por exemplo, onde é preciso tomar medidas emergenciais e parte da produção acaba sendo perdida. O que pode acontecer são gastos a mais para o produtor, como um custo maior de frete para que a produção seja armazenada em um local que não o município de origem. O ideal seria que, se tivéssemos 8,4 milhões de produção, existisse então esse número mais 20% dele de capacidade estática para armazenagem. A solução que vemos para MS é que 150 mil toneladas da produção de milho sejam removidas, escoadas, para receber a soja.

Capital News: A ferrugem asiática seria outra preocupação para a próxima safra?

Sérgio: Sobre a ferrugem é um problema que está sob controle, embora o maior foco seja em Chapadão do Sul. Esse clima de chuva e depois sol forte é o ideal para o desenvolvimento da ferrugem asiática, mas os produtores, pesquisadores e as tecnologias disponíveis estão dominando a situação de maneira eficaz, por isso não é preocupante. O número de pragas e doenças tende a ser muito menor. A perspectiva é de crescimento na produção. Mas, mesmo assim, como dizem os produtores “não há certeza de produção enquanto ela não estiver dentro do galpão”, a natureza é instável.

Capital News: Quanto à área de cultivo, como está a expectativa para o crescimento nas próximas safras?

Sérgio: Quanto às áreas cultivadas na safra de verão, os números já foram consolidados, ou seja, não deverá haver alteração. Para a safra de inverno, só será possível informar as áreas que serão plantadas com milho safrinha e trigo, culturas de maior desastre, por ocasião do levantamento de safra a ser realizado em fevereiro próximo.

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O superintendente afirmou que MS ainda tem muito a crescer em relação ao seu potencial agrícola e pecuário
Foto: Nadia Nadalon/Capital News


Por: Ana Maria Assis - (www.capitalnews.com.br)

 

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