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Mato Grosso do Sul

Nelore-MS critica possível restrição da União Europeia à carne brasileira e defende rastreabilidade com apoio ao produtor

Entidade afirma que exigências sanitárias não podem comprometer competitividade da pecuária nacional

Elaine Oliveira
Capital News

A Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso do Sul (Nelore-MS) manifestou preocupação com o anúncio da União Europeia sobre possíveis restrições à importação da carne brasileira. Em nota assinada pelo presidente da entidade, Paulo Matos, a associação defende que o tema seja tratado com “seriedade, responsabilidade técnica e equilíbrio”.

Segundo a Nelore-MS, o Brasil possui um dos maiores sistemas de produção de proteína animal do mundo, com avanços nas áreas de genética, sanidade, rastreabilidade, sustentabilidade e produtividade. A entidade destaca que a pecuária brasileira atende mercados internacionais considerados altamente exigentes em protocolos sanitários e controle de qualidade.

A associação afirma apoiar a ampliação da rastreabilidade do rebanho nacional, entendendo que o setor caminha para maior transparência, tecnologia e segurança alimentar. No entanto, pondera que a implantação de sistemas mais amplos depende de apoio do poder público, integração institucional e políticas que permitam ao produtor absorver os custos sem perda de competitividade.

“A Nelore-MS defende permanentemente a evolução da rastreabilidade do rebanho brasileiro, entendendo que o futuro da pecuária mundial passa cada vez mais por transparência, controle sanitário, tecnologia e segurança alimentar”, afirmou Paulo Matos.

A entidade também ressaltou os investimentos feitos pelo Brasil em sanidade animal, vigilância epidemiológica, recuperação de pastagens e redução de impactos ambientais. Apesar disso, argumenta que parte das exigências impostas por mercados internacionais ultrapassa critérios técnicos e acaba funcionando como barreira comercial ao agronegócio brasileiro.

No posicionamento, a associação destaca ainda que a União Europeia representa uma fatia importante das exportações brasileiras de cortes premium, mas não é o principal destino da carne nacional. A nota reforça que o Brasil ocupa posição estratégica no abastecimento mundial de alimentos.

“O produtor rural brasileiro não pode continuar sendo tratado como vilão ambiental ou sanitário enquanto sustenta uma das cadeias produtivas mais relevantes da economia nacional”, diz trecho da manifestação.

Por fim, a Nelore-MS reafirma apoio ao aperfeiçoamento dos protocolos sanitários e da rastreabilidade, mas defende respeito ao produtor brasileiro, à soberania produtiva nacional e à livre concorrência no comércio internacional.

 Confira a nota na íntegra

A Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso do Sul (Nelore-MS), por meio de seu presidente, Paulo Matos, recebe com preocupação o anúncio da União Europeia sobre possíveis restrições à importação da carne brasileira. O tema deve ser tratado com seriedade, responsabilidade técnica e equilíbrio.

O Brasil possui um dos maiores e mais eficientes sistemas de produção de proteína animal do mundo. Nas últimas décadas, a pecuária brasileira avançou significativamente em genética, sanidade, rastreabilidade, sustentabilidade e produtividade, atendendo mercados altamente exigentes em diversos continentes, inclusive países com rígidos protocolos sanitários e controles de qualidade.

A Nelore-MS defende permanentemente a evolução da rastreabilidade do rebanho brasileiro, entendendo que o futuro da pecuária mundial passa cada vez mais por transparência, controle sanitário, tecnologia e segurança alimentar. O produtor rural brasileiro está disposto a avançar e já realiza investimentos importantes nesse processo.

Entretanto, é fundamental destacar que a implantação de sistemas amplos e eficientes de rastreabilidade exige apoio do poder público, integração institucional, segurança jurídica e políticas que permitam ao produtor absorver esses custos sem comprometer sua competitividade. Não é possível transferir toda essa responsabilidade exclusivamente para quem produz.

Também é importante reconhecer os avanços já conquistados pelo Brasil. O país possui um dos maiores programas de sanidade animal do mundo, resultado de décadas de investimentos em controle sanitário, vigilância epidemiológica e aperfeiçoamento dos protocolos produtivos. Além disso, a pecuária brasileira evoluiu de forma consistente em sustentabilidade, integração de sistemas produtivos, recuperação de pastagens, eficiência alimentar e redução de impactos ambientais.

A Nelore-MS respeita o direito de cada mercado estabelecer suas regras sanitárias. Porém, considera necessário destacar que, muitas vezes, determinadas exigências ultrapassam a esfera técnica e acabam se transformando em barreiras comerciais à competitividade do agro brasileiro.

A carne brasileira é uma das mais competitivas do mundo porque o produtor rural brasileiro produz com eficiência, tecnologia e capacidade de escala. Isso naturalmente impacta mercados que possuem custos mais elevados e menor competitividade internacional.

Cabe destacar ainda que, embora a União Europeia represente uma parcela importante das exportações brasileiras, especialmente em cortes premium, ela está longe de ser o principal destino da carne nacional. O mercado mundial reconhece a qualidade da proteína brasileira, e o Brasil ocupa posição estratégica no abastecimento global de alimentos.

O produtor rural brasileiro não pode continuar sendo tratado como vilão ambiental ou sanitário enquanto sustenta uma das cadeias produtivas mais relevantes da economia nacional. O agro gera empregos, movimenta a indústria, impulsiona o comércio, fomenta investimentos em máquinas, veículos e tecnologia, além de fortalecer centenas de municípios brasileiros.

A Nelore-MS defende o aperfeiçoamento constante dos protocolos sanitários e da rastreabilidade, por entender que isso fortalece ainda mais a credibilidade internacional da pecuária brasileira. Mas também defende respeito ao produtor brasileiro, à soberania produtiva nacional, ao direito de propriedade e à livre concorrência no comércio internacional.

O mundo precisa de alimentos, e o Brasil continuará sendo protagonista nessa missão.

Paulo Matos

Presidente da Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso do Sul – Nelore-MS

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