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Agronegócio Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2026, 16:02 - A | A

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Crescimento

Mato Grosso do Sul entra em fase de transição do ciclo pecuário, aponta Famasul

Preços começam a reagir, mas margens seguem pressionadas, sobretudo na recria e engorda

Elaine Oliveira
Capital News

Análise do Departamento Técnico da Famasul indica que Mato Grosso do Sul vive um momento de transição do ciclo pecuário. O Estado começa a sair da fase de baixa e avança, de forma gradual, em direção a um cenário mais favorável, com reação nos preços, embora a oferta de animais ainda permaneça elevada, reflexo das decisões produtivas dos últimos anos.

Segundo a entidade, o mercado já apresenta sinais positivos, mas as margens seguem pressionadas em parte da cadeia. Os efeitos desse movimento variam conforme o sistema produtivo, exigindo atenção redobrada dos pecuaristas.

Na cria, o cenário é considerado mais favorável. A valorização do bezerro melhora a receita do sistema e sinaliza perspectivas melhores no médio prazo. Ainda assim, a Famasul alerta que a retenção de fêmeas deve ser avaliada com cautela, especialmente em propriedades com restrições de capital, pastagem ou estrutura.

Já nos sistemas de recria e terminação, o impacto é mais desafiador no curto prazo. O aumento do preço dos animais de reposição ocorre antes da valorização plena da arroba do boi gordo, comprimindo as margens. Esse descompasso é típico das fases de transição do ciclo pecuário.

De acordo com a Famasul, Mato Grosso do Sul já superou o fundo do ciclo, marcado por preços deprimidos e descarte acelerado de fêmeas, mas ainda não ingressou plenamente na fase de alta, que pressupõe redução mais clara no abate de matrizes e recomposição consistente do rebanho.

“O cenário atual é compatível com uma fase de inflexão, em que os preços começam a reagir antes que as mudanças biológicas na oferta se materializem plenamente”, afirma Diego Guidolin, consultor em pecuária do Departamento Técnico da Famasul.

O histórico do setor ajuda a explicar o momento atual. Entre 2019 e 2021, os preços elevados estimularam a retenção de fêmeas e a expansão do rebanho. A partir de 2022, o aumento do abate de matrizes — com participação próxima ou superior a 49% do total — contribuiu para a redução do rebanho estadual, que caiu de mais de 20,5 milhões de cabeças em 2017 para cerca de 17,2 milhões em 2023.

Nos últimos anos, os indicadores passaram a sinalizar mudança de tendência. Em 2024 e 2025, apesar de o abate de fêmeas ainda permanecer elevado, houve estabilização e leve recuperação do rebanho, além da valorização da arroba do boi gordo, que atingiu R$ 306,93 até novembro. O preço do bezerro também avançou, chegando a R$ 2.658,03, indicando expectativa de restrição futura na oferta de reposição.

“Mesmo antes de uma redução expressiva no abate de fêmeas, o encarecimento da reposição sinaliza mudança de percepção dos agentes de mercado, o que historicamente antecede a consolidação da fase de alta do ciclo”, destaca Guidolin.

A Famasul ressalta que, em fases de transição, os preços tendem a melhorar, mas também se tornam mais voláteis. Por isso, a estratégia de comercialização ganha papel central. Ferramentas como contratos a termo, mercado futuro e opções ajudam a reduzir riscos e trazer previsibilidade, especialmente para sistemas mais expostos aos custos de reposição.

“O produtor que interpreta corretamente o ciclo e ajusta sua estratégia produtiva e de comercialização tende a atravessar esse período com mais segurança e competitividade”, conclui o consultor.

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