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Crescimento

Mato Grosso do Sul entra em fase de transição do ciclo pecuário, aponta Famasul

Preços começam a reagir, mas margens seguem pressionadas, sobretudo na recria e engorda

Elaine Oliveira
Capital News

João Carlos Castro/Famasul

MS entra em fase de transição do ciclo pecuário, aponta Famasul

MS entra em fase de transição do ciclo pecuário, aponta Famasul

Análise do Departamento Técnico da Famasul indica que Mato Grosso do Sul vive um momento de transição do ciclo pecuário. O Estado começa a sair da fase de baixa e avança, de forma gradual, em direção a um cenário mais favorável, com reação nos preços, embora a oferta de animais ainda permaneça elevada, reflexo das decisões produtivas dos últimos anos.

Segundo a entidade, o mercado já apresenta sinais positivos, mas as margens seguem pressionadas em parte da cadeia. Os efeitos desse movimento variam conforme o sistema produtivo, exigindo atenção redobrada dos pecuaristas.

Na cria, o cenário é considerado mais favorável. A valorização do bezerro melhora a receita do sistema e sinaliza perspectivas melhores no médio prazo. Ainda assim, a Famasul alerta que a retenção de fêmeas deve ser avaliada com cautela, especialmente em propriedades com restrições de capital, pastagem ou estrutura.

Já nos sistemas de recria e terminação, o impacto é mais desafiador no curto prazo. O aumento do preço dos animais de reposição ocorre antes da valorização plena da arroba do boi gordo, comprimindo as margens. Esse descompasso é típico das fases de transição do ciclo pecuário.

De acordo com a Famasul, Mato Grosso do Sul já superou o fundo do ciclo, marcado por preços deprimidos e descarte acelerado de fêmeas, mas ainda não ingressou plenamente na fase de alta, que pressupõe redução mais clara no abate de matrizes e recomposição consistente do rebanho.

“O cenário atual é compatível com uma fase de inflexão, em que os preços começam a reagir antes que as mudanças biológicas na oferta se materializem plenamente”, afirma Diego Guidolin, consultor em pecuária do Departamento Técnico da Famasul.

O histórico do setor ajuda a explicar o momento atual. Entre 2019 e 2021, os preços elevados estimularam a retenção de fêmeas e a expansão do rebanho. A partir de 2022, o aumento do abate de matrizes — com participação próxima ou superior a 49% do total — contribuiu para a redução do rebanho estadual, que caiu de mais de 20,5 milhões de cabeças em 2017 para cerca de 17,2 milhões em 2023.

Nos últimos anos, os indicadores passaram a sinalizar mudança de tendência. Em 2024 e 2025, apesar de o abate de fêmeas ainda permanecer elevado, houve estabilização e leve recuperação do rebanho, além da valorização da arroba do boi gordo, que atingiu R$ 306,93 até novembro. O preço do bezerro também avançou, chegando a R$ 2.658,03, indicando expectativa de restrição futura na oferta de reposição.

“Mesmo antes de uma redução expressiva no abate de fêmeas, o encarecimento da reposição sinaliza mudança de percepção dos agentes de mercado, o que historicamente antecede a consolidação da fase de alta do ciclo”, destaca Guidolin.

A Famasul ressalta que, em fases de transição, os preços tendem a melhorar, mas também se tornam mais voláteis. Por isso, a estratégia de comercialização ganha papel central. Ferramentas como contratos a termo, mercado futuro e opções ajudam a reduzir riscos e trazer previsibilidade, especialmente para sistemas mais expostos aos custos de reposição.

“O produtor que interpreta corretamente o ciclo e ajusta sua estratégia produtiva e de comercialização tende a atravessar esse período com mais segurança e competitividade”, conclui o consultor.

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