O Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) injetou R$ 3,240 bilhões em Mato Grosso do Sul no ano passado, volume recorde impulsionado principalmente pela forte demanda do setor rural. Do total liberado, 75% foram destinados ao FCO Rural, percentual bem acima da média histórica, que girava em torno de 60% para o campo e 40% para a linha Empresarial.
O repasse inicial da Sudeco (Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste) ao Estado era de R$ 2,7 bilhões, mas o aumento expressivo da procura levou a sucessivos reajustes até alcançar R$ 3,2 bilhões. Segundo o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, o desempenho reforça a centralidade do agronegócio na economia estadual.
Na avaliação do secretário, dois fatores ajudaram a reduzir o apetite do empresariado urbano pelo crédito. “A elevação da Selic encareceu as taxas de juros e as incertezas em relação à economia do País também influenciaram a tomada de decisão”, explicou.
A maior parte dos recursos do FCO Rural foi aplicada em projetos de pequenos e médios produtores, que concentraram 72% do volume liberado nessa linha. Os demais 28% ficaram com médios e grandes produtores. Beretta destaca que o fundo mantém o foco nos pequenos empreendedores. “A meta é aplicar no mínimo 50% em projetos de mini e pequenos empresários, e isso temos cumprido todos os anos”, afirmou.
Entre as principais finalidades dos financiamentos estão a correção de solo (17,15%) e a reforma ou recuperação de pastagens (13,68%), ações alinhadas à meta do governo estadual de tornar Mato Grosso do Sul um Estado Carbono Neutro até 2030. “O combate à degradação do solo é fundamental para ampliar o sequestro e a retenção de CO₂”, pontuou Beretta.
Na sequência aparecem a aquisição de matrizes bovinas de corte (12,5%), implantação de sistemas de irrigação (10,59%) e compra de máquinas e implementos agrícolas (9,65%). Também ganharam destaque os investimentos em fruticultura (8,25%) e na construção de armazéns agrícolas (7%), áreas consideradas estratégicas pelo governo.
“O Estado tem buscado atrair investimentos em citricultura. O governador Eduardo Riedel entende que temos potencial para nos tornarmos um novo polo produtor de laranja e suco de laranja, diante das dificuldades enfrentadas por São Paulo”, afirmou Beretta. Segundo ele, o volume aplicado em fruticultura confirma esse movimento.
Na distribuição regional, o FCO Rural alcançou todos os municípios sul-mato-grossenses em 2025. Os maiores volumes foram registrados em Bataguassu (8,58%), Dourados (6,78%), Paranaíba (6,64%), Sidrolândia (6,27%) e Paraíso das Águas (6,18%). Para o secretário, os números demonstram o caráter descentralizado do fundo, que leva desenvolvimento e geração de renda também aos pequenos e médios municípios.
O papel da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) também foi destacado, especialmente na elaboração de projetos que permitiram aos pequenos produtores acessar os financiamentos.
Já o FCO Empresarial manteve a prioridade nos mini e pequenos empresários, que ficaram com 52% dos recursos, enquanto médios e grandes concentraram 10,6%. A distribuição regional foi mais concentrada, com Campo Grande absorvendo 40% do total e Dourados outros 13%.
As principais finalidades da linha Empresarial foram capital de giro (41,15%), compra de equipamentos (21,82%), construções (13,07%), reformas (8,03%) e aquisição de veículos (6,86%).
Para 2026, a Sudeco já definiu orçamento de R$ 3,1 bilhões para Mato Grosso do Sul, dividido igualmente entre FCO Rural e FCO Empresarial. O valor representa crescimento de 14% em relação ao montante inicial de 2025. “No ano passado, fomos o único Estado da região que precisou de novos aportes porque o recurso disponível não foi suficiente para atender a demanda”, ressaltou Beretta.
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