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Agronegócio Domingo, 18 de Janeiro de 2026, 07:13 - A | A

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Mato Grosso do Sul

FCO injeta R$ 3,2 bilhões em Mato Grosso do Sul e campo concentra 75% dos recursos

Volume recorde em 2025 reflete força do agronegócio e maior cautela do setor empresarial diante dos juros e do cenário econômico

Elaine Oliveira
Capital News

O Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) injetou R$ 3,240 bilhões em Mato Grosso do Sul no ano passado, volume recorde impulsionado principalmente pela forte demanda do setor rural. Do total liberado, 75% foram destinados ao FCO Rural, percentual bem acima da média histórica, que girava em torno de 60% para o campo e 40% para a linha Empresarial.

O repasse inicial da Sudeco (Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste) ao Estado era de R$ 2,7 bilhões, mas o aumento expressivo da procura levou a sucessivos reajustes até alcançar R$ 3,2 bilhões. Segundo o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, o desempenho reforça a centralidade do agronegócio na economia estadual.

Na avaliação do secretário, dois fatores ajudaram a reduzir o apetite do empresariado urbano pelo crédito. “A elevação da Selic encareceu as taxas de juros e as incertezas em relação à economia do País também influenciaram a tomada de decisão”, explicou.

A maior parte dos recursos do FCO Rural foi aplicada em projetos de pequenos e médios produtores, que concentraram 72% do volume liberado nessa linha. Os demais 28% ficaram com médios e grandes produtores. Beretta destaca que o fundo mantém o foco nos pequenos empreendedores. “A meta é aplicar no mínimo 50% em projetos de mini e pequenos empresários, e isso temos cumprido todos os anos”, afirmou.

Entre as principais finalidades dos financiamentos estão a correção de solo (17,15%) e a reforma ou recuperação de pastagens (13,68%), ações alinhadas à meta do governo estadual de tornar Mato Grosso do Sul um Estado Carbono Neutro até 2030. “O combate à degradação do solo é fundamental para ampliar o sequestro e a retenção de CO₂”, pontuou Beretta.

Na sequência aparecem a aquisição de matrizes bovinas de corte (12,5%), implantação de sistemas de irrigação (10,59%) e compra de máquinas e implementos agrícolas (9,65%). Também ganharam destaque os investimentos em fruticultura (8,25%) e na construção de armazéns agrícolas (7%), áreas consideradas estratégicas pelo governo.

Afrânio Pissini

Novo polo de irrigação impulsiona agricultura em Mato Grosso do Sul

Irrigação impulsiona agricultura em Mato Grosso do Sul

“O Estado tem buscado atrair investimentos em citricultura. O governador Eduardo Riedel entende que temos potencial para nos tornarmos um novo polo produtor de laranja e suco de laranja, diante das dificuldades enfrentadas por São Paulo”, afirmou Beretta. Segundo ele, o volume aplicado em fruticultura confirma esse movimento.

Na distribuição regional, o FCO Rural alcançou todos os municípios sul-mato-grossenses em 2025. Os maiores volumes foram registrados em Bataguassu (8,58%), Dourados (6,78%), Paranaíba (6,64%), Sidrolândia (6,27%) e Paraíso das Águas (6,18%). Para o secretário, os números demonstram o caráter descentralizado do fundo, que leva desenvolvimento e geração de renda também aos pequenos e médios municípios.

O papel da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) também foi destacado, especialmente na elaboração de projetos que permitiram aos pequenos produtores acessar os financiamentos.

Já o FCO Empresarial manteve a prioridade nos mini e pequenos empresários, que ficaram com 52% dos recursos, enquanto médios e grandes concentraram 10,6%. A distribuição regional foi mais concentrada, com Campo Grande absorvendo 40% do total e Dourados outros 13%.

As principais finalidades da linha Empresarial foram capital de giro (41,15%), compra de equipamentos (21,82%), construções (13,07%), reformas (8,03%) e aquisição de veículos (6,86%).

Para 2026, a Sudeco já definiu orçamento de R$ 3,1 bilhões para Mato Grosso do Sul, dividido igualmente entre FCO Rural e FCO Empresarial. O valor representa crescimento de 14% em relação ao montante inicial de 2025. “No ano passado, fomos o único Estado da região que precisou de novos aportes porque o recurso disponível não foi suficiente para atender a demanda”, ressaltou Beretta.

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