Pesquisadores do Brasil e da Itália iniciaram um estudo para identificar a presença de microplásticos e metais pesados em peixes da bacia do Rio Paraná, em Mato Grosso do Sul. O projeto recebeu investimento de R$ 150 mil por meio de uma parceria entre a Fundect e o Confap para incentivar a cooperação científica internacional.
A pesquisa é coordenada pelo professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Luís Humberto da Cunha Andrade, em parceria com o pesquisador italiano Vincenzo Palleschi, do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália (CNR). O objetivo é entender como esses poluentes chegam aos organismos aquáticos e quais impactos podem causar.
Segundo Andrade, os microplásticos são gerados pela degradação de sacolas, embalagens, roupas sintéticas, pneus e outros materiais plásticos. "Essas partículas funcionam como uma esponja, absorvendo metais pesados presentes no ambiente e aumentando a contaminação dos organismos vivos", explicou.
Os pesquisadores vão analisar órgãos como fígado, rins e estômago de peixes expostos à contaminação em laboratório. Em Mato Grosso do Sul serão utilizados lambaris, enquanto na Itália os testes serão feitos com peixes-zebra. Paralelamente, também serão coletadas amostras de água e peixes nos rios Dourados, Brilhante, Vacaria e Amambai.
O estudo utilizará técnicas avançadas de espectroscopia para identificar microplásticos e metais pesados, como chumbo, mercúrio e cromo, além de verificar onde esses contaminantes se acumulam nos organismos e como variam entre os períodos de chuva e seca.
Para os pesquisadores, os resultados poderão fortalecer o monitoramento ambiental e a conservação dos recursos hídricos no Estado. "Hoje discutimos os microplásticos, mas eles continuam se degradando e dando origem aos nanoplásticos, que representam uma preocupação ainda maior para o futuro", alertou Andrade.
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