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Cotidiano Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013, 10:26 - A | A

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013, 10h:26 - A | A

Parte dos moradores de favela vai receber casas

Bruno Chaves - Capital News (www.capitalnews.com.br)

Cerca de 130 famílias da favela da Portelinha, que está localizada próxima ao Jardim Talismã em Campo Grande, ao final da Avenida Prefeito Heráclito Diniz de Figueiredo, serão beneficiadas com casas populares oferecidas pelo Governo do Estado e da Prefeitura.

No local onde a favela está localizada, futuramente, será construído o Complexo Segredo/Taquaral, que contará com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2). As 130 famílias que moram na Portelinha serão transferidas para dois loteamentos que serão construídos na Vila Isabel Garden, saída de Campo Grande para Cuiabá (MT).

Elas fizeram o recadastramento na Agência Municipal de Habitação (Emha), em dezembro de 2012, e ocuparão as casas dos residenciais Ari Abussafi e Gregório Corrêa, que prevê a construção de 313 casas. As obras, que estão na etapa de preparação do terreno para a posterior edificação, tiveram início em 20 de dezembro de 201 2 e serão entregues 20 de março de 2014. Ao todo, serão investidos R$ 27.446.902,12 de contrapartida da Caixa Econômica Federal, Governo do Estado e Prefeitura de Campo Grande.

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Placa da obra dá mais detalhes sobre o investimento
Foto: Bruno Chaves/CapitalNews

Despejo

Segundo a diarista Mariluce Oliveira, de 34 anos, que é líder da comunidade da Portelinha e mora no local há seis anos, os moradores já fizeram três cadastrados na Emha para deixar o local, mas não conseguiram êxito até o momento.

“Esse cadastro de dezembro [2012] é o terceiro cadastro que nós fizemos. O primeiro foi há quatro anos e o segundo tem um ano. Prometeram que levariam a gente para o Santa Emília, depois para o Arnaldinho, mas nunca deu certo”, diz a líder.

Questionada sobre os motivos que não permitiram a mudança das famílias do local, a Mariluce explica: “porque sempre vem mais gente invadir a área depois que a prefeitura passa fazendo o cadastro. Isso dificulta na hora de fazer a mudança”.

Isso foi o que aconteceu com as famílias que moram em 10 barracos da comunidade. Conforme explicou Mariluce, elas chegaram à Portelinha depois que a prefeitura passou fazendo o cadastro dos moradores em dezembro.

A intenção dessas famílias, ainda de acordo com a líder, é conseguir uma casa da Emha. “Eles ficam sabendo e vem ocupar as casas vazias ou levantar mais barracos. Não dá certo. Em 2008, nós éramos em 68 casas. Em dezembro de 2012, chegamos a 130”, esclarece.

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Mariluci Oliveira, líder comunitária, explica que os barracos estão numerados no cadastro da agência de habitação
Foto: Bruno Chaves/CapitalNews

Intimação

Todas as casas da favela da Portelinha estão numeradas e cadastradas na Emha. Esses moradores serão contemplados com uma residência nos loteamentos Ari Abussafi e Gregório Corrêa.

Nesta terça-feira (26), as famílias dos 10 barracos, que não tinham numeração, receberam uma intimação da prefeitura para deixar o local. Elas têm 48 horas para cumprir o que foi determinado. Ontem mesmo, a prefeitura demoliu alguns barracos que não estavam no local em dezembro de 2012, quando foi feito o ultimo cadastramento na Emha, e estavam marcados como “vazio”.

Portelinha

Invasores tomaram a região da Favela da Portelinha em 2007. Muitos não tinham condições de se manter e decidiram ocupar uma área imprópria para moradia. O local fica ao lado do córrego Segredo e, mesmo nessas condições, os moradores ergueram seus barracos.

“Vim para cá porque não tinha como pagar o aluguel. Isso porque eu morava em outra favelinha lá no Danúbio Azul”, comenta Mariluci.

Seis anos depois da ocupação as condições de sobrevivência são inadequadas. A favela da Portelinha tem energia porque os moradores fizeram “gato”, possui água encanada porque a empresa de saneamento da cidade fez a ligação no ano passado. Mas serviços básicos de saúde, como esgoto e coleta de lixo não chegam até os moradores.

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Terreno que será usado na construção de 313 casas é preparado para receber as edificações
Foto: Bruno Chaves/CapitalNews

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