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Cotidiano Quinta-feira, 09 de Maio de 2013, 19:15 - A | A

Quinta-feira, 09 de Maio de 2013, 19h:15 - A | A

Paraguaios e bolivianos são escravizados em MS

Fernanda Kintschner - Capital News (www.capitanews.com.br)

A exploração do trabalho escravo de bolivianos e paraguaios no Brasil, principalmente em Mato Grosso do Sul, é uma prática muito recorrente. A denúncia é do procurador do trabalho, Cícero Rufino Pereira, da Procuradoria Regional do Trabalho – 24ª Região/MS, do Ministério Público do Trabalho – MPT.

Segundo ele, as carvoarias existentes na região de fronteira com esses dois países são as que mais praticam esse crime, que se verifica também em algumas indústrias de açúcar e álcool.

O relato foi apresentado ontem (8), na abertura do 7º Fórum Sindical Sul, que reúne em Campo Grande lideranças sindicais (sindicatos e federações) dos trabalhadores nas indústrias dos Estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Segundo Cícero Rufino o trabalho forçado e o tráfico internacional de pessoas dos países vizinhos é uma dura realidade no Brasil. Devido à grande extensão de terras no Estado é muito difícil uma cobertura eficaz da fiscalização. Além disso, “faltam fiscais para atender o Ministério Público do Trabalho. Faltam mais procuradores e mais servidores”, afirmou Rufino.

O procurador informou também que as irregularidades são tantas junto a inúmeras empresas no Estado, que ele citou o caso de uma delas, preferindo apenas não citar o nome, mas que presta serviços na área de construção civil para o programa PAC, do Governo Federal. O MPT lavrou 77 autos de infração contra ela que vinha cometendo inúmeros abusos principalmente contra trabalhadores.

O 7º Fórum Sindical Sul, que está sendo realizado em Campo Grande desde ontem e que vai até amanhã, sexta-feira, tem discutido vários outros temas. Um deles, levado a debate hoje pela manhã, foi sobre “Acidentes de Trabalho – Doenças ocupacionais”, que teve como palestrante Roberto Ruiz, médico sanitarista e do trabalho e consultor em saúde do trabalhador do Sindicato Químico Unificado.

Ele criticou a falta de infraestrutura (mobiliária inclusive) nas indústrias e comércio, que facilitam o agravo dos casos de LER (lesão por esforço repetitivo) e de doenças ocupacionais.

Roberto Ruiz afirmou que o campeão de motivo do afastamento de empregados da indústria é a tendinite e em segundo lugar são os transtornos psíquicos. “A estimativa é de que hoje, no setor industrial brasileiro, e aqui em Mato Grosso do Sul não deve ser diferente, é de que 20% dos trabalhadores estão doentes”, afirmou.

Outros temas serão debatidos no período da tarde e nesta sexta-feira pela manhã. Presentes ao encontro, José Calixto Ramos, presidente da CNTI (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias) e lideranças de sindicatos e federações de trabalhadores nas indústrias dos Estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás.

José Roberto Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Mato Grosso do Sul – FTI/MS, anfitrião do evento, fez um balanço positivo dos trabalhos até o final da manhã desta quinta-feira. “Os temas levantados aqui foram muito importantes e isso vai ajudar a todos para que tenhamos conhecimento da realidade dessas regiões e do Brasil. Além disso, podemos aprender muito aqui para que tenhamos um movimento sindical mais forte na defesa dos interesses dos trabalhadores”, afirmou.

De acordo com a programação, no início da tarde será discutido o tema: “Mulheres e jovens na atividade sindical”, que terá como palestrante a deputada Ângela Albino (PCdoB/SC); “Plano Brasil Maior”, que vem logo em seguida, será abordado pelo deputado federal Zeca Dirceu (PT/PR).

Segundo a organização do evento, amanhã (10) os trabalhos recomeçam às 8h30 com “pauta unificada” e o palestrante será Idemar Martini. Depois haverá debates, trabalhos em grupo e apresentação e conclusão dos trabalhos, finalizando o 7º Fórum Sindical Sul.
 

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