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Meio Ambiente Quarta-feira, 15 de Maio de 2024, 08:26 - A | A

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Extremos da chuva

Volume causou tragédia no Rio Grande do Sul, e seca alerta para racionar água em Mato Grosso do Sul

MS sofre com tempo seco e rios abaixo da média. Enquanto, no RS, território é destruído por inundações

Juliana Rezende
Capital News

Semadesc

Chuvas: intensidade no Rio Grande do Sul causou calamidade, e seca em Mato Grosso do Sul alerta para racionar água

Ponte de Captação de Água sob o Rio Paraguai, no Porto Geral, em Corumbá

Se no Sul do País a população se tornou vítima do excesso de água, em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, os moradores sentem a falta de chuva. A situação preocupa as autoridades, uma vez que a Bacia do Rio Paraguai, que ocupa 4,3% do território brasileiro e abastece os dois Estados, sofre com escassez. As chuvas estão abaixo do nível da média histórica desde o ano passado, e acendem um alerta com imposições de uma série de condições para o uso da água nos dois Estados.

A preocupação veio à tona durante a 27ª reunião deliberativa extraordinária da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), realizada nessa segunda-feira, dia 13. Na ocasião foi declarada Situação Crítica de Escassez Quantitativa dos Recursos Hídricos na Região Hidrográfica do Paraguai.

A ANA fará uma Resolução dentro dos próximos dias com vigência até o dia 31 de outubro, quando normalmente se vê o fim do período seco na Bacia do Rio Paraguai. Se os níveis de chuva não voltarem ao esperado é possível que a data seja prorrogada.

O governo de Mato Grosso do Sul tem monitorando o movimento das águas e o comportamento dos rios, observando que desde o ano passado a seca tem persistido. O Pantanal, por exemplo, não registrou cheia ainda este ano.

“A situação é preocupante, o governo vem acompanhando junto com o governo do Mato Grosso e Agência Nacional das Águas”, disse o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck – que participou da reunião junto à diretoria da ANA.

As medidas com imposições preventivas para evitar o desabastecimento nos estados vizinhos, segundo a ANA, terão como base o cenário observado na região e em pareceres do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Serviço Geológico do Brasil (SGB).

A situação na Bacia do Rio Paraguai será acompanhada a partir de uma Sala de Crise, organizada pela Agência com participação de diversos órgãos públicos e entidades da área, como o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec/MS) e Instituto de Meio Ambiente (Inmet/MS).

A Sala foi o local onde, no dia 7 de maio, ocorreu a reunião em que decidiu-se, entre membros do colegiado, que a ANA anunciaria a situação de escassez hídrica.

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)

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Ana criou uma Sala de Crise para monitorar condições da bacia do Rio Paraguai

Rio Paraguai está abaixo do nível

O governo estadual informou que, em abril, o nível d’água do Rio Paraguai atingiu o pior valor histórico já observado em algumas estações de monitoramento ao longo de sua calha principal. A situação desfavorável pode resultar em impactos aos usos da água, sobretudo em captações para abastecimento de água – especialmente em Cuibá, Capital do Mato Grosso, e Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense, além de dificultar e até inviabilizar a navegação, reduzir o potencial do aproveitamento hidrelétrico a fio d’água e comprometer atividades de pesca, turismo e lazer.

“As captações outorgadas representam menos de 30% de comprometimento da vazão de referência, portanto o problema não estaria na quantidade de água retirada dos rios. Mas em função da redução dos níveis dos rios, é possível que haja impacto nas estruturas de captação dessa água para abastecimento urbano, demandando a instalação de equipamentos adicionais”, explicou o superintendente da ANA, Patrick Tadeu Thomas. As concessionárias, nesse caso, poderiam, até mesmo, criar taxas extras para bancar os custos adicionais.

Ele citou o caso da cidade de Corumbá, com 102 mil habitantes, que se abastece do Rio Paraguai. A Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) instalou uma bomba para captar 632 litros de água por segundo do rio. “Em 2021, a estrutura de captação ficou submersa numa lâmina d’água de apenas 30 centímetros. Nesse ano estamos prevendo que o nível do rio fique mais baixo e a captação por essa bomba seja interrompida”, afirmou Thomas.

Medidas para racionar uso da água

As estratégias que devem ser adotadas a partir da declaração de escassez hídrica vão desde a estratégia de ajustes operacionais em reservatórios até melhoria do uso da água para setores de agricultura e indústria.

“É um esforço em conjunto que requer a colaboração de todos os envolvidos para garantir a sustentabilidade da água naquela bacia”, ponderou Verruck. Na próxima semana, o governador Eduardo Riedel vai reunir representantes de todas as Secretarias e a Semadesc fará uma apresentação da situação hidrológica da região, quando então serão definidas ações de segurança hídrica, saúde, segurança, atendimento aos povos tradicionais e todas as providências necessárias para enfrentar a situação.

“Há um foco muito forte no monitoramento contínuo. Estamos utilizando estações de monitoramento para acompanhar em tempo real os níveis de rios e as condições climáticas, o que é fundamental para se antecipar e responder às mudanças que estão acontecendo na região. Além disso, a Sala de Crise serve para coordenar ações entre diferentes órgãos e garantir respostas rápidas e eficazes quando a situação evoluir”, enfatiza o gerente de Recursos Hídricos do Imasul, Leonardo Sampaio.

Semadesc

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Secas consideradas graves foram constatadas em MS. Na região Sudoeste do Estado, o monitoramento das secas aponta uma condição mais extrema e preocupante

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