Cerca de mil pessoas participam da Marcha dos Índios que acontece na manhã desta sexta-feira (7), em Campo Grande. Em meio a palavras de ordem como “Todos somos índios e todos são sem terra”, indígenas, sem terras e operários da construção civil se unem na mobilização.
Os manifestantes saíram da Praça do Rádio Clube, na avenida Afonso Pena, e seguiram pela ruas 14 de julho, Marechal Cândido Mariano e 13 de maio, onde retornam para a Praça do Rádio.
Pintados e usando arco e flecha, os índios apresentaram uma dança típica de sua cultura, para marcar o inicio da manifestação. Durante a apresentação, bradaram “Quando mortos não levantam, cabe aos vivos cuidar de quem está vivo” e “a cada companheiro calado um minuto de silêncio”.

A dança marcou o início da manifestação
Foto: Marcelo Victor/Capital News
O cacique da aldeia indígena da etnia kaoiwá, Sérgio da Silva, considerou a marcha de grande importância na luta na demarcação de terras. “O fato de termos um irmão morto nos dá mais força para continuar lutando”, afirmou Sérgio. “O que queremos é o direito à nossa terra”, reiterou o cacique que destacou que o Estado não olha para os indígenas. “Tudo o que aconteceu e as perdas que tivemos não precisavam acontecer se o Estado tivesse uma preocupação maior com os índios”, pontuou Sérgio.

Para o cacique Sérgio da Silva, da etnia kaiowá, todos podem lutar pelos seus direitos
Foto: Marcelo Victor/Capital News
Para o cacique da etnia kaoiwá, os produtores também têm o direito de lutar. “Cada um tem que lutar pelo que é seu de direito. Não estamos fazendo nada contra os produtores, mas sim com o que é de direito nosso”, afirmou Sérgio da Silva.
Após sair de Anhanduí e caminhar 50 quilômetros a pé para chegar a Campo Grande, a indígena Efigênia Hirton, da aldeia Itay, afirmou que o protesto é um grande avanço de uma luta de anos e espera que a marcha ajude a conquistar o objetivo que é a demarcação de terras. Para ela, receber o apoio de outras entidades como o Movimento Sem Terra (MST) e dos operários da construção civil contribui para fortalecer as reivindicações. “A união é uma grande força que fortalece nossa manifestação”, considerou Efigênia.

Outros movimentos engrossaram a passeata conhecida como Marcha dos Índios
Foto: Marcelo Victor/Capital News
Para o diretor de reforma agrária e meio ambiente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetagri), Adão Souza Cruz, a luta dos indígenas é uma luta de todas as categorias. “Esta manifestação é uma forma de todos os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária a buscarem pelos seus direitos”, considerou Adão Souza. Segundo ele, nos últimos três anos não houve nenhuma mudança em relação à aquisição de terras, e que não há orçamento para a reforma agrária. Segundo ele, existem cerca de 200 mil famílias que estão acampadas. “Todos são sem terra, e nossa união é para que o governo enxergue nossa luta”, disse Adão.
Webergton Sudário, presidente da Federação dos Trabalhadores das Indústrias, Construção e Imobiliárias, afirmou que estão solidários aos indígenas e sem terras, porque tem o mesmo objetivo. “Queremos a mesma coisa, que é visibilidade, e que sejamos ouvidos em nossos anseios”, explicou Sudário. Segundo ele, houve uma negociação ontem, mas o sindicato patronal ofereceu um reajuste segundo a inflação e que foi rejeitado pela categoria que pede 33% de reajuste, no mínimo. “Mesmo com esse reajuste vai ficar abaixo do valor em relação aos outros estados”, afirmou. Sudário informou que 80% das obras estão paradas e que a adesão à greve foi de 90% da categoria, e avisou que a greve continua enquanto não forem atendidos. “Queremos algo justo para a categoria”, afirmou Webergton Sudário.

Webergton Sudário, do movimento grevista dos operários, explica sobre adesão à marcha
Foto: Marcelo Victor/Capital News
O protesto continua até as 13h30. Durante reunião entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e lideranças indígenas na quinta-feira (6), firmaram o acordo de não invadir outras propriedades enquanto não for formado o Fórum com representantes com todas as categorias.
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