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Mobilização

Empresas sul-mato-grossenses recorrem aos EUA contra sobretaxa

JBS e Unica defendem que sobretaxa prejudicará indústrias, consumidores americanos e exportações brasileiras

Viviane Freitas
Capital News

Empresas com atuação em Mato Grosso do Sul intensificaram a mobilização nos Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de tarifas extras sobre produtos brasileiros. A JBS e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) apresentaram manifestações ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), durante audiência pública sobre a investigação comercial aberta contra o Brasil.

A investigação foi instaurada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas comerciais injustas. A decisão sobre a adoção ou não das tarifas deve ser anunciada até 15 de julho. Enquanto isso, as contribuições apresentadas por empresas e entidades seguem em análise.

A JBS defendeu a exclusão do couro bovino das medidas, argumentando que o produto abastece indústrias norte-americanas dos setores automotivo e moveleiro. Em documento enviado ao USTR, a empresa afirmou que uma tarifa de 25% prejudicaria as cadeias produtivas dos dois países. "As tarifas vão gerar disrupção em linhas de produção, aumentar o custo de fábricas dos EUA e causar danos econômicos para os negócios norte-americanos e os consumidores", destacou.

A Unica, que representa seis usinas de etanol instaladas em Mato Grosso do Sul, também contestou a proposta. A entidade afirmou que o mercado brasileiro segue regras internacionais de comércio e que a sobretaxa elevará os custos das refinarias dos Estados Unidos, além de impactar os consumidores de um combustível considerado de baixo carbono.

Enquanto a decisão não é anunciada, os efeitos já começam a aparecer no comércio exterior. As exportações de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos caíram de US$ 73,39 milhões em abril para US$ 36,53 milhões em maio, uma redução de aproximadamente 50%, conforme dados do comércio exterior.

Para a economista da Semadesc, Bruna Mendes Dias, ainda é cedo para medir os impactos definitivos da medida. "Ao longo desse período, vimos anúncios, revisões, adiamentos e acordos sendo construídos durante as negociações. Por isso, embora o anúncio mereça atenção, ainda é cedo para avaliar seus efeitos definitivos", afirmou.

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