
Consórcio Guaicurus amplia quantidade de ônibus circulando na Capital. Com isso, o quantitativo passa de 460 para 486.
O relatório parcial dos primeiros 90 dias de intervenção no Consórcio Guaicurus revela que o transporte coletivo de Campo Grande iniciou o período sob risco de paralisação, com caixa insuficiente, dívidas acumuladas e dificuldades para manter despesas básicas da operação. Na data da intervenção, as empresas tinham R$ 415,2 mil disponíveis, enquanto apenas o adiantamento salarial que venceria dias depois exigia R$ 1,03 milhão. O levantamento também registra R$ 5,86 milhões em débitos vencidos com fornecedores de combustível, R$ 2,14 milhões com outros fornecedores e R$ 4,85 milhões referentes a INSS e Imposto de Renda retidos e não quitados.
Além da situação financeira, os interventores identificaram problemas na manutenção dos ônibus, gestão de estoques, compras e controles administrativos. Dos 460 veículos analisados, 210 foram fabricados até 2015, e a idade média da frota chegou a 10,4 anos, mais que o dobro do parâmetro de cinco anos previsto no contrato. Entre 2023 e 2025, o número de viagens realizadas caiu cerca de 14%, enquanto a quilometragem percorrida recuou 15,2%. O índice de execução das viagens programadas também caiu de 86,4% para 74,5%. A intervenção foi iniciada em junho justamente para garantir a continuidade do serviço e apurar as causas da deterioração operacional e financeira.
O documento recomenda renovação da frota, adoção de manutenção preventiva, reorganização dos processos de compras e almoxarifado, recuperação dos controles financeiros e revisão de linhas e frequências. Também permanecem pendentes a conclusão da auditoria financeira e a análise sobre eventual desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, que deverá considerar receitas, custos, tarifa, demanda, subsídios e a distribuição de riscos da concessão. Para o interventor jurídico Alexandre Souza Moreira, o diagnóstico confirmou que a crise era mais profunda do que se percebia externamente. “A gente encontrou um cenário inicial de bastante precariedade financeira, o que evidenciava até mesmo uma possível paralisação dos serviços”, afirmou.
Na Câmara Municipal, o relatório será acompanhado pela Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana. O presidente do colegiado, vereador Dr. Lívio, afirmou que o documento ainda não representa uma solução definitiva para o sistema. “Nada mudou. É apenas uma prestação de contas parcial. Vou ler o relatório nesses próximos dias”, declarou. A intenção da comissão é estabelecer um acompanhamento dos principais riscos e das providências recomendadas. Fiscalizações anteriores já haviam apontado problemas como descumprimento de horários, deterioração dos veículos e falhas operacionais, fatores que ajudaram a embasar a intervenção decretada pelo Município.
O futuro da concessão continua em aberto. A Prefeitura ainda precisa decidir sobre a proposta de transferência do controle do Consórcio Guaicurus para o Grupo HP Mobilidade, de Goiás, operação que depende de autorização municipal. Entre as alternativas já mencionadas estão a continuidade da atual concessão mediante novas exigências, aplicação de sanções, eventual caducidade contratual ou realização de nova licitação. A intervenção pode durar até 180 dias e, ao fim do processo, o Município deverá utilizar os relatórios técnicos e as apurações administrativas para definir qual modelo será adotado para o transporte coletivo de Campo Grande.
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