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Cotidiano Quinta-feira, 26 de Setembro de 2013, 10:59 - A | A

Quinta-feira, 26 de Setembro de 2013, 10h:59 - A | A

Crianças em idade escolar recebem aulas no Hospital Regional

Lucas Junot - Capital News (www.capitalnews.com.br)

O projeto Classe Hospitalar, da Secretaria de Estado de Educação (SED), que mantém salas de aula em sete hospitais de Campo Grande e um de Dourados para atender a todos os pacientes em idade escolar que estão internados, fazendo com que o conteúdo programático do ano letivo seja aplicado mesmo que o aluno esteja, por determinado período, afastado da escola é uma iniciativa que levar educação às crianças onde quer que elas estejam, assegurando o direito constitucional do jovem e do adolescente, além de aliviar o sofrimento da família e auxiliar na recuperação de crianças que, por diversos motivos, se encontram internadas em hospitais de Mato Grosso do Sul.

De acordo com Jucélia Linhares Granemane, coordenadora do projeto, o Classe Hospitalar é um programa do Centro de Educação Especial Inclusiva (Ceespi) da Secretaria de Educação e conta com 23 professores e profissionais da área de pedagogia que atuam em todas as áreas de ensino existentes desde a educação infantil até o ensino médio, devidamente treinados e com especialização em Libras e Braille para atender, também, alunos com deficiência de audição e visão.

A coordenadora explica que os hospitais contam com as salas de aula, mas também, em casos de alunos que não podem sair do quarto, seja por um quadro mais grave ou por dificuldade de locomoção, os professores vão até o leito onde o paciente se encontra para lecionar. “O principal objetivo é que não haja perda no processo escolar. Já tivemos casos de pacientes que, com autorização do Ministério da Educação, realizaram o Enem aqui dentro do hospital”, conta.

Para que o processo seja o mais eficiente possível, diariamente o hospital realiza um levantamento das internações de pacientes em idade escolar. Feito isso, a equipe entra em contato com cada escola, para explicar a ausência do aluno e saber o conteúdo que está sendo aplicado para aquela criança ou adolescente especificamente. “Independente se a escola é do Município ou do Estado, entramos em contato e pesquisamos o que aquele aluno está aprendendo naquele período, para que os nossos professores deem o conteúdo atualizado para cada caso. Há uma grande interação com as escolas”, garante.

Outro ponto destacado pela coordenadora, é o fato de os professores terem que se adaptar à rotina do hospital e dos jovens que estão internados, em função de horário de medicamentos e intervenções médicas, por exemplo. Além disso, o hospital capacita os funcionários da Educação com relação à assepsia e processos higiênicos que devem ser adotados em ambiente hospitalar. “Temos um excelente apoio por parte do Hospital Regional. Além disso, eles treinam os professores com relação ao manejo dos materiais para evitar contaminações, pois este ambiente é diferente do escolar”.

O professor de Exatas e Ciências Biológicas Emerson Ismael Cabrera destaca que o ponto primordial do processo é fazer com que a criança ou adolescente não perca o vínculo com a escola, mostrando ao aluno o quanto é importante para o futuro dele o estudo. “Às vezes não é fácil fazer com que uma criança internada estude matemática, por exemplo. Mas mostramos através de jogos e atividades lúdicas a importância disso tudo, estimulando para que eles se interessem e não se sintam isolados. É um processo de conquista e no final sempre despertamos o interesse nas crianças”, afirma.

Para a dona de casa Rosana Ferreira, que acompanha o filho de 16 anos na unidade de oncologia pediátrica do Hospital Regional, o trabalho desenvolvido pela equipe da Secretaria de Educação na unidade é fundamental para auxiliar o tratamento do filho, além de aumentar a autoestima do paciente. “Este trabalho é excelente. Ajuda muito a criança, ela se sente motivada, fica muito mais animada e faz com que ela não desanime", afirma.

Outra mãe que frequenta o hospital para acompanhar a filha que tem uma doença do sangue, Valdeci Barbosa Ávila, diz que o resultado psicológico do trabalho é um dos principais fatores para a recuperação e evolução das crianças. “É impressionante como eles se sentem motivados. Frequentando as aulas aqui, eles não se sentem doentes e isso não tem preço. A família percebe o resultado e isso é fundamental pra nós também”.

Ana Paula Lucena é a terapeuta ocupacional responsável pelo setor de pediatria do Hospital Regional e há sete anos trabalha com a socialização das crianças que estão internadas. A profissional explica que, paralelamente aos trabalhos de ensino escolar, o hospital reserva um espaço diário na agenda das crianças para que elas interajam com outras, brinquem e saiam da rotina de internação, sempre acompanhadas da mãe. “Aqui na brinquedoteca realizamos atividades lúdicas, brincadeiras com massinhas, passamos filmes e tudo isso ajuda a criança a conhecer outras crianças, além de fazer com que elas não fiquem assustadas com o ambiente hospitalar. Diminui ainda a ansiedade e elas passam a aceitar melhor os procedimentos de enfermagem, tornando menos doloroso o processo de internação”, finaliza.

Em Campo Grande os profissionais atendem pacientes do Hospital Regional, Hospital Universitário, Santa Casa, Hospital Nosso Lar, Hospital São Julião, Hospital do Câncer Alfredo Abrão e AACC. E em Dourados são atendidos pacientes pediátricos do Hospital Universitário.
 

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