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Cotidiano Segunda-feira, 05 de Agosto de 2013, 15:23 - A | A

Segunda-feira, 05 de Agosto de 2013, 15h:23 - A | A

“A guerra no campo está armada”, diz proprietária da fazenda Esperança, em Aquidauana

Lucas Junot - Capital News (www.capitalnews.com.br)

Termina nesta segunda-feira (5) o prazo do Governo Federal para apontar a solução dos problemas entre índios e produtores rurais de diversas áreas de conflito em Mato Grosso do Sul. Mesmo diante da promessa, a paz parece estar distante dos personagens que protagonizam o cenário de guerra no campo.

A reportagem do Capital News entrevistou há pouco, a proprietária da fazenda Esperança, na região de Aquidauana. Mirian Alves Gonçalves, de 56 anos, avalia que “a guerra no campo está armada, pois não há solução”.

No dia 26 de julho, Mirian, os dois filhos, a irmã, o cunhado e três sobrinhos foram, segundo ela, obrigados a deixarem a fazenda, há 150 anos na família. Os cerca de nove mil hectares são uma das áreas reivindicadas como terra indígena.

A proprietária conta que, por meio de um acordo mediado pelo Ministério Público Federal (MPF), teve 15 dias para remover 3,5 mil cabeças de gado, distribuídos emergencialmente para fazendas vizinhas, repassados ou vendidos a preços abaixo do convencional. Maquinários e implementos agrícolas também foram levados as pressas para onde se pudesse abrigá-los. Cerca de 150 cabeças de gado foram perdidas, ou mortas, conta Miriam.

O entrave na resolução do problema, de acordo com a proprietária, esbarra na “morosidade da justiça”. “Cumprimos todos os prazos, acatamos a todas as exigências, mas hoje estamos distantes daquilo que nossa família construiu ao longo de anos”.

Mirian conta que no local estão armados vários barracos e existe a presença de muitas mulheres e crianças. “Os bravos guerreiros colocam mulheres e crianças a sua frente, ficamos impotentes, a polícia também não pode fazer nada e o Governo Federal prefere sacrificar Mato Grosso do Sul, ao invés de assumir o acordo que fizeram e não podem cumprir”, opina.

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A placa foi pendurada na porta da sede da fazenda Esperança. "Casa abandonada. Só choro e desespero"
Foto: Reprodução

A proprietária também acusa os índios de depredarem o patrimônio. “Temos muito mais que dinheiro investido ali, investimos as nossas vidas, a história de vida de gerações está ali. O governo tinha que ter coragem para assumir a decisão que tomou e custear a responsabilidade disso. Não sou contra dar a terra aos índios, mas por que roubarem na mão grande o que construímos? Nossas terras estão legalizadas e estão produzindo”, pondera.

Boicote

Discutido desde o ano passado, um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), entre o Ministério Público Federal e frigoríficos de Mato Grosso do Sul, quer vetar a compra de gado de áreas onde ocorram crimes contra indígenas, embargo ambiental do Ibama ou do Imasul e indícios de trabalho escravo, atestados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

As três questões que estão sendo debatidas para comporem o termo são, de acordo com o MPF medidas para garantir a defesa dos direitos dos indígenas e também a responsabilidade socioambiental dos frigoríficos.

Mirian afirma que o “boicote” transcende as relações de pecuaristas e frigoríficos. Segundo ela, produtores de grãos também serão incluídos no Termo. Para a produtora, “se essa questão evoluir vai ser catastrófico para Mato Grosso do Sul”.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) elaborou um relatório apontando sugestões para resolver problemas de 53 áreas. Cerca de 700 mil hectares, mais de 2% do território do Estado estão em conflito. Mato Grosso do Sul tem um dos maiores rebanhos bovinos do país, são 21,5 milhões de cabeças.

De acordo com a assessoria de imprensa do MPF, termo com o mesmo teor já foi assinado nos estados do Pará, Mato Grosso, Acre e Rondônia. A proposta, no entanto, ainda não tem previsão para ser assinada em Mato Grosso do Sul.

A Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) disse, por meio de sua assessoria, que desconhece qualquer dado oficial de boicote por parte dos frigoríficos a determinadas regiões e ressaltou que pode haver ações específicas dos frigoríficos, por serem independentes.

Ainda de acordo com a assessoria, até o momento nenhuma informação oficial foi divulgada, motivo pelo qual a Federação não irá se pronunciar.

A Famasul entende ainda que fica a critério do MPF comunicar ou não qualquer situação nesse sentido, considerando a representatividade da Federação nos setores.

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