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Saúde Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009, 10:32 - A | A

Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009, 10h:32 - A | A

Medo de dengue hemorrágica faz Sesau antecipar campanha e gincana contra a doença na Capital

Marcelo Eduardo - Redação Capital News (www.capitalnews.com.br)

O prefeito da Capital Nelsinho Trad (PMDB) e o secretário municipal de Saúde Luiz Henrique Mandetta lançaram nesta segunda-feira, 14 de setembro, a Campanha de Combate e a 3ª Gincana contra a doença, visando impedir a proliferação do mosquito transmissor, o aedes aegypti. O tema da edição de 2010 da gincana é “Bairros unidos contra a dengue”.

Este ano, a campanha teve que ser antecipada. “Nós tivemos muitas alterações climáticas e isso afetou nossa programação. Tivemos que antecipar e dar um incentivo maior. A gente não pode se balizar pelo tempo. Nunca se viu chover tanto em agosto e setembro como choveu este ano”, diz Nelsinho.

Campanha

Conforme o secretário Mandetta, três dos quatro tipos de vírus causadores da doença conhecidos circulam em Campo Grande. “No Brasil, não existe registro do tipo 4. E, dos que têm no Brasil, todos estão por aqui. Em 1997 e 1998 começou a circular o tipo 1. Em 2002, o tipo 2. Em 2007, o tipo 3. Eles vieram na sequencia, mas poderia não ser assim. Poderia vir primeiro o tipo 3, depois 1, enfim. Eles têm o mesmo poder de cometer danos. Mas, o que é importante dizer é que, quem pegou o tipo 1 , por exemplo, e depois é afetado pelo tipo 2 ou 3, tem possibilidade maior de adquirir uma complexidade, a dengue hemorrágica”, explica.

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Situações climáticas atuais facilitariam proliferação do mosquito e, como na cidade, circulam três diferentes tipos do vírus, chances de forma hemorrágica são maiores
Foto: Deurico/Capital News

Mandetta continua a afirmar que o cenário atual causa preocupação. “Nossa atenção aumentou quando no pós-Carnaval, Corumbá registrou os casos do tipo 1. Cuiabá [MT], passou a apresentar o tipo 2. Então, ficamos mais alertas. Estamos num cenário muito preocupante para todas as pessoas de Campo Grande. São as crianças e adolescentes que têm mais chances de terem complicações.”

Envolvimento de todos

Mandetta e Nelsinho informaram que toda as secretarias estão envolvidas em prol da minimização dos riscos de contágio da dengue. “A Secretaria de Saúde já tem mais lotações de agentes. A Secretaria de Obras Públicas já possui mais caminhões e trabalhadores braçais nas áreas consideradas de risco maior de contágio. A Secretaria de Educação têm aulas que abordam o assunto. A Secretaria de Assistência Social ajuda nos Ceinfs [Centros de Educação Infantil] e nas casas que abordam com os programas sociais. A Secretaria de Urbanismo multa os donos de terrenos e prédios abandonados”, exemplifica Nelsinho.

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São três dos quatro tipos de vírus existentes da doneça que estão em Campo Grande, explica Mandetta
Foto: Deurico/Capital News

A própria sede da Sesau foi alvo de mudanças por conta de possíveis focos de proliferação do mosquito. “Agentes que atuam nessa área vieram aqui e descobriram o seguinte... tinham muitos copos plásticos descartáveis jogados e aquilo podia ser foco de criação dos ovos e da larva. Então, fizemos uma reunião e ficou decidido que não vamos mais usar copos plásticos aqui e que cada funcionário vai trazer sua caneca de casa”, conta Mandetta.

Gincana

Vai durar três meses. São dez equipes já inscritas, mas espera-se mais. As provas que envolvem desde a coleta de lixo, vistoria em residências, até ações de conscientização das formas de proliferação do mosquito da dengue. O Exército e a Seintrha serão os responsáveis pelo transporte dos materiais arrecadados pelas equipes até o destino final.

Os prêmios serão todos em dinheiro. O 1º lugar recebe R$ 30 mil; o 2º lugar R$ 25 mil; o 3º lugar 20 mil; o 4º lugar 10 mil; o 5º lugar 5 mil e o 6º colocado R$ 3 mil. Neste ano, cada equipe participante que obtiver pontuação mínima de 20% da pontuação da equipe vencedora receberá mil reais. Cada equipe pode ter entre vinte e cinquenta pessoas.

Nelsinho confessou que quando lançou a primeira edição da gincana – em 2007, quando do surto que levou a Capital ao primeiro lugar de casos no Brasil, com algumas mortes por conta da doença –, chegou a ficar “reticente”. “Em 2007, cada um dos secretários foi intimado a encontrar, na sua área, uma ação contra a doença. Lembro que falei que não era possível que nós íamos perder para um mosquito. Todos entraram no combate. Até o procurador jurídico da Prefeitura liberou para que nós entrássemos em casa fechadas sem a autorização prévia do proprietário, por exemplo. A Sesau veio com a ideia de uma gincana. Lembro que, num primeiro momento, fiquei reticente. Mas, nós gastávamos com ‘fumacê’ quatro vezes por mês, aí chovia, lavava o veneno e não adiantava nada. Primeiro, foram seis equipes. Pouco diante do que esperávamos. Mas, colocamos como primeira prova, convencer mais pessoas a montarem equipes. Em uma semana, saltamos de seis para trinta equipes”, lembra Nelsinho.

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Nelsinho e Mandetta mostram como equipes da gincana devem se cadastrar pela internet
Foto: Deurico/Capital News

Conscientização

Atuando cotidianamente com as pessoas, a agente de combate à dengue Silvia Cristina de Souza afirma que, a cada ano, a situação de limpeza nos terrenos e casas melhora. Ela fala com a experiência de quem já pratica este trabalho há seis anos. “Nosso serviço está bem melhor. A gente conscientiza a população e, vejo que, a cada ano, a coisa melhora. O maior problema nosso ainda é com relação aos pratinhos e vazinhos de plantas. As pessoas colocam água, aí, a gente explica que tem que ser com areia. Mas, assim que aprendem uma vez, a gente retorna nas casas e observa que o erro foi consertado. Com certeza, a população está mais atenta”, explica.
Rafael Teodoro, 26, também é agente de combate à dengue, mas ele atua nas ruas e não de casa em casa. “A gente percebe que, nas ruas, existem ainda muita sujeira acumulada em algumas áreas. O pessoal tem que entender que não pode jogar sacola plástica, copos e materiais que acumulem água.”

Para o caixa da Prefeitura?

Antes de anunciar sobre as receitas internas, Nelsinho até brincou quando do lançamento da gincana contra a dengue. Ele falava da premiação em dinheiro para as equipes mais bem posicionadas: a primeira colocada recebe R$ 30 mil. “Vou até pedir para o nosso vice, Edil, montar uma equipe da Prefeitura. Quem sabe, a gente não ganha e vai para o caixa da Prefeitura”, comenta, com risos.

Serviço

As inscrições para a 3ª Gincana Contra a Dengue estão abertas desde hoje e vão até dia 30 de setembro. Os interessados podem entrar em contato com a Gerência de Informação, Educação e Comunicação da Sesau, que fica na rua Bahia, 280 – onde era a antiga sede da Águas Guariroba. O telefone para contato é o (67) 3314-3012.

Confira aqui o regulamento da Gincana

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Por: Marcelo Eduardo – (www.capitalnews.com.br)
 

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