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Reportagem Especial Terça-feira, 25 de Agosto de 2009, 07:43 - A | A

Terça-feira, 25 de Agosto de 2009, 07h:43 - A | A

\"Que horas são?\"

Marcelo Eduardo - Redação Capital News (www.capitalnews.com.br)

Monumento da Cidade Morena, o relógio localizado no cruzamento entre as avenidas Calógeras e Afonso Pena (réplica do histórico que ficava no centro da 14 de Julho com Afonso Pena) está com problemas. São quatro marcadores de hora; um deles está parado (o da Afonso Pena sentido Centro/Amambaí) e outro atrasado ao menos cinco minutos (o voltado para o centro da cidade). A um dia do 110º aniversário de Campo Grande, um dos principais pontos da Capital necessita de reparos.

“Que horas são?”

O Capital News conversou com pessoas que dizem utilizar o aparelho todos os dias. Eles são trabalhadores no entorno do famoso relógio.

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Eliete Gomes diz que usa sempre o relógio
Foto: Deurico/Capital News

“Vixe. Eu uso ele sempre. Sempre eu fico olhando para saber [que horas são].” A vendedora de raízes Eliete Aparecida Gomes, 44 anos, sai da escola onde estuda – próxima ao shopping Campo Grande – por volta das 10h, almoça e começa o trabalho.

“Olha aqui [mostra os pulsos]. Eu não usos relógio. Se não for ela aí [aponta a estrutura no cruzamento], eu fico desorientada.”

Casada e mãe de três filhos, ela mora no bairro Dalva de Oliveira (na região do Tiradentes) e fecha a pequena barraca às 17h. “Olho para o relógio para saber se já está no horário de eu ir embora descansar, senão, eu perco o ônibus.”

“Todo mundo olhando para cima, rapaz!”

“Hoje foi engraçado. As pessoas ficavam prestando atenção nesse aí que estava parado. Foi engraçado mesmo. “Todo mundo olhando para cima, rapaz!”

A exclamação é de Getúlio Rodrigues, 57 anos. Ele trabalha junto com Damião da Silva, 21 anos, segurando faixas de propaganda. O ponto deles fica exatamente sob a base do relógio. “Faz duas semanas que a gente está aqui. Cada tempo é num lugar diferente que mandam a gente. Aqui, estamos faz duas semanas. A gente costuma usar o relógio sim. A gente olha para cima para ver se ‘tá’ na hora de almoçar, de ir embora”, diz Getúlio.

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Getúlio Rodrigues diz que quer melhorias no relógio
Foto: Deurico/Capital News

“Precisa arrumar este daí. É feio as pessoas olhando para ver que está ruim”, diz o colega Damião.

Os mototaxistas Cleiber Lopes, 37 anos, e Iolando de Araújo Felipes, 37 anos, trabalham bem do lado onde o relógio parou. “Coloca aí assim: ‘Por favor, consertar o relógio’.”

O pedido de Cleiber é porque a ferramenta é de grande utilidade para ele e os colegas. “Claro que nós usamos. Fica bem aqui em frente de nós. Mas, precisa arrumar. Tem que funcionar.”

“Quando funciona, isso é de uma grande utilidade. Funcionando só dos outros lados, fica ruim para nós porque a gente não pode deixar o posto”, explica Iolando.

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Foto: Durico/Capital News

Mototaxistas dizem que usam relógio, mas que, faz tempo está atrasado
Foto: Deurico/Capital News

Da Paraíba para Campo Grande

O vendedor ambulante Alinho Dantas, 19 anos, veio do Estado nordestino da Paraíba em busca de trabalho no Mato Grosso do Sul. Ele veio há cinco meses, deixou mulher e uma filha pequena – que chegaram faz poucos dias, depois que ele conseguiu mandar “um dinheirinho” para trazê-las.

“Deixei tudo lá para tentar sobreviver. No Nordeste, é muito ruim conseguir emprego. Aqui, vou me virando”, diz.

Ele vende cintos, carteiras e chapéus. “Mando trazer de lá da Paraíba. O ruim, é quando vêm os fiscais e tiram da gente, assustam a gente, assustam os fregueses. A gente quer ganhar o pão de cada dia, mas não deixam”, diz.

Quanto ao relógio. Alinho agradece. Com os braços e mãos cobertos de cintos fica fácil saber porque. “Eu tenho celular para ver a hora, mas, com tudo isso, fica complicado de tirar do bolso. O relógio ajuda bastante. Percebi, também, que as pessoas usam ele bastante, mas, parece que um deles está quebrado, né?”.

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Vendedor Alinho Dantas diz que necessita bastante do aparelho
Foto: Deurico/Capital News

"Não uso não"

O vendedor de água de coco, José Brás, diz que não utiliza o relógio. "As pessoas, eu vejo, costumam usar sim. Mas, eu mesmo, não."

José chega na Afonso Pena por volta das 7h e sai às 17h. Para saber sobre o tempo, usa o celular. "Sei que é algo cultural. Mas, para mim, é um monumento porque eu não uso não como relógio."

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Relógio relembra histórico que ficava na 14 de Julho
Foto: Deurico/Capital News

Por: Marcelo Eduardo - Capital News

 

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