Atualmente, o setor de queimados da Santa Casa recebe 16 pacientes, sendo dois em estado grave no Centro de Terapia Intensiva. Todos com algo em comum, dores insuportáveis e o medo das marcas que as queimaduras podem provocar. Este medo poderia ser reduzido se a Capital tivesse um banco de pele, o que não acontece:
“Acredito que em Botucatu/SP é feito o transplante de pele. A pele recebida do transplante não é duradoura. Ela funciona como um curativo fisiológico, fica por um tempo e o paciente não perde pele na área queimada”, explica a cirurgiã plástica Marialda Pedreira, 67 anos.
Segundo a médica, a pele recebida do transplante só funciona da pessoa para a própria pessoa. A doação de pai para filho não é recebida. Pode ser aceito de um irmão univitelino ou outro parente com todos os componentes genéticos iguais. A pele da mãe e do pai pode até ser aceita, mas serve como um curativo, que depois é eliminado. Marialda afirma que na Capital não há casos que precisou utilizar o banco de pele para fazer transplantes e, apesar de não ter um banco de pele, há alguns anos um professor aplicou aula para os médicos entenderem como funciona o banco.
A indígena Lurdivani Pires, 28 anos, está há 57 dias internada no setor de vítima de queimaduras na Santa Casa de Campo Grande. A moradora da aldeia Babaçu, na cidade de Miranda, a 203 quilômetros de Campo Grande, estava voltando da escola de ônibus durante a noite, quando o mesmo foi atacado com pedras no momento em que se aproximava das aldeias. Na ocasião o ônibus foi incendiado. Ela está enfaixada e não tem previsão de saída do hospital.
A dona de casa Daiane da Silva, 28 anos, teve 50% do corpo queimado. Ela se feriu ao acender uma chapa com álcool, comprado no posto de gasolina, para fazer bife na chapa para os filhos e o marido. A jovem foi encaminhada ao hospital de Dourados e como teve queimaduras graves, foi transferida para a Santa Casa de Campo Grande. “Sempre fiz bife na chapa e dessa vez não deu certo. Queimei o meu corpo. Achei que fosse morrer. As dores são insuportáveis. Fico sem dormir e não consigo se mexer. Tomo vários antibióticos com morfina para passar a dor. Tenho medo das marcas que devem ficar no meu corpo”, declarou.

Daiane tinha a intenção de fazer bife na chapa quando jogou o álcool explodiu no corpo dela
Foto: Deurico/Capital News
Há menos de duas semanas, Antonio Carlos Ribeiro, 46 anos, teve o corpo parcialmente incendiado pela própria esposa, Terezinha Alves, 40 anos, na cidade de Terenos, a 27 quilômetros da Capital. O casal morava junto há 15 anos e ficou um tempo separado, mas decidiram voltar à relação. Porém, a mulher estava desconfiada que ele estivesse tendo outra relação com uma mulher. Assim, ateou gasolina nas costas dele e riscou o fósforo, com a intenção de matá-lo.
O homem teve 70% do corpo queimado e quer proteção policial quando sair do hospital. “Estou passando uma fase muito difícil. Ela não precisava fazer isso. Não sei o que deu na cabeça dela de fazer isso. Quando sair daqui não vou prestar boletim de ocorrências. Mas, quero é distancia dela. Não sei quando vou sair daqui. Não sei como vai ficar a minha pele. Estou muito preocupado e sinto muitas dores”, comenta Ribeiro. A esposa dele foi prestar depoimento na delegacia e está respondendo pelo crime em liberdade.

Ele disse que não quer mais ver a esposa e quer proteção policial quando sair do hospital
Foto: Deurico/Capital News
No dia 8 de Julho, Raimundo José Cantanhede, 30 anos, estava trabalhando em uma carvoaria na cidade de Rio Negro, quando teve uma discussão com um amigo de trabalho por causa de bebida alcoólica. Após isso, almoçou e foi deitar em um quarto para descansar. Passado algum tempo, observou o vulto de uma pessoa, o cheiro forte de gasolina e as chamas. Ele chegou a correr, mas teve as pernas queimadas quando tentava abrir a porta. “Quando abri a porta me atirei na areia e corri uns quatro quilômetros para pedir socorro”, revelou. O homem que ateou fogo no corpo dele está preso em um presídio de Campo Grande.

Raimundo estava descansando quando outro rapaz ateou fogo no quarto
Foto: Deurico/Capital News
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Marlinda 15/10/2011
Gostaria de auxiliar na doação de pele e samgue para que assim possa ajudar outras pessoas. Marlinda
1 comentários