Da Vera Magalhães no blog Radar da Veja:
"Com a delação premiada homologada, Delcídio do Amaral espera angariar apoio da opinião pública para, desta maneira, tentar evitar a cassação de seu mandato pelo Senado. A estratégia se assemelha á do ex-deputado Roberto Jefferson que, em 2005, acuado por denúncias de desvios de aliados seus nos Correios e no IRB, resolveu contar tudo o que sabia sobre o mensalão.
Ao entregar a trama envolvendo Dilma Rousseff, Lula e outras autoridades numa tentativa de obstruir as investigações da Lava-Jato, Delcídio espera reverter a imagem com a qual ficou quando foi preso. A aliados ele tem dito que ficará claro que não cometeu crime de corrupção, não tinha contas secretas no exterior e não recebeu propina. Teria agido cumprindo uma missão do governo e do PT.
Com a simpatia que espera conquistar da opinião pública por ter tido coragem de delatar o que sabe, o senador acredita que o Senado pode ter receio de cassá-lo. Afinal, na Casa há vários investigados por ter recebido benefícios de dinheiro desviado da Petrobras, além de outros citados diretamente por Delcídio na delação."
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Que vantagem Delcídio leva na delação?
O acordo de delação firmado por Delcídio do Amaral com a Justiça limita a 15 anos de prisão o tempo máximo de pena a que ele pode ser condenado ao fim do processo. Determinar que ele fique em regime de prisão domiciliar por um ano e seis meses, dormindo em casa, podendo sair para exercer o mandato, do qual é alvo de processo de cassação no Senado. Delcídio não pode manter contatos reservados com outros réus e investigados da Lava Jato, a não ser por força da atividade parlamentar e na presença de duas ou mais testemunhas. No Congresso, 38 deputados e senadores são alvos da operação, incluindo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Também foi permitido que ele parcele em até dez anos a multa de R$ 1,5 milhão que será dividido em 80% para a Petrobras e 20% para a União. Em sua manifestação ao STF, a Procuradoria Geral da República afirma que o acordo visa obter provas contra "organizações criminosas" que agiam no Executivo e no Legislativo.
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