Adriana Franciosi/RBS Zero Hora Reprodução
Do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar, poema sobre a tragédia de Santa Maria (RS) publicado no diário Zero Hora e em diversos jornais Brasil afora:
"A maior tragédia de nossas vidas
Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.
As palavras perderam o sentido."
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Jovens de MS morrem na tragédia gaúcha
Pelo menos dois jovens de Mato Grosso do Sul morreram na tragédia do incênio na boate que matou quase duas centenas e meia de universitários neste domingo em Santa Maria (RS). Nesta manhã, via Facebook, o deputado licenciado e secretário de Habitação de MS Carlos Marun (PMDB) informou que foram confirmados os óbitos de David Santiago Souza, de Campo Grande, e de Ana Paula Rodrigues, de Mundo Novo. Marun, que está em Porto Alegre visitando os pais, informou que, por determinação da governadora em exercício Simone Tebet, vai nesta manhã a Santa Maria para apoiar familiares das vítimas nas providências de translados dos corpos para Mato Grosso do Sul.
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E quem autorizou a boate Kiss funcionar...?
Considerado foragido, Mauro Hoffmann, segundo sócio da boate Kiss que foi palco da tragédia em Santa Maria (RS), se entregou à polícia na tarde de hoje. Ele teve sua prisão decretada junto com o sócio Elissandro Sphor, conhecido como Kiko, porque o MP suspeita de adulteração de provas que comprovariam irregularidades na casa noturna onde um incêndio matou 231 pessoas ontem. Dois músicos da banda Gurizada Fandangueira também foram presos. "Não tenho parte nisso. Não contratava e nem demitia pessoas. Não tinha poder gerencial, era apenas sócio financeiro da Kiss", declarou "Maurinho" em depoimento aos policiais civis.
Fica no ar, encoberta de fumaça, a dúvida: será cobrada também a responsabilidade das autoridades responsáveis por fiscalizar e as que concederam alvará (que estava vencido, mas vinha sendo renovado conforme admitiram as próprias autoridades da cidade) a uma casa com uma única entrada e saída e sem condições de segurança contra sinistros?
Pior é saber que essas normas não são visivelmente cumprida em estabelecimentos na maioria das cidades Brasil afora. Prova disso é que, só agora, prefeituras e outros órgãos fiscalizadores em todo o país estão anunciando medidas para reforçar a fiscalização e exigência de condições de segurança adequada para evitar tragédias similares. Precisou quase duas centenas e meias de jovens morrerem para isso. Mas, se for para evitar outras tragédias, antes tarde do que nunca.
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Segurança de boates e similares de Campo Grande em debate após tragédia gaúcha
Depois da tragédia de Santa Maria (RS), as condições de segurança em boates, hoteis, bares e outros locais de aglomeração de pessoas em Campo Grande será tema de audiência pública no plenário da câmara, na próxima sexta-feira (1), às 9h. Para a reunião convocada pela vereadora Luiza Ribeiro, do PPS, estão sendo convidados representantes da OAB-MS, Crea-MS, da prefeitura, dos Bombeiros, do Procon, da Delegacia do Consumidor, do Ministério Público Estadual e dos sindicatos patronais e de trabalhadores desses estabelecimentos e também promotores de eventos. Luiza diz que "a reunião se justifica pela insegurança sentida na sociedade campo-grandense alertada pela tragédia ocorrida em Santa Maria”.
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