Espaço, localização, custos e estilo de vida influenciam a decisão entre dois modelos
Escolher entre o aluguel de um imóvel horizontal ou de um apartamento está entre as dúvidas mais comuns de quem busca locar uma propriedade no Brasil. O questionamento é pertinente, afinal, a decisão envolve fatores financeiros, rotina, mobilidade e até planos familiares dos locatários.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados a partir do Censo Demográfico de 2022, mostram que 20,9% da população brasileira vive em imóveis alugados, o maior índice desde 1980.
O levantamento também aponta que os apartamentos cresceram nos grandes centros urbanos e já concentram 12,5% dos moradores brasileiros, enquanto as casas ainda predominam em cidades médias e bairros residenciais.
Nesse cenário, o setor passou a oferecer modalidades de contrato de aluguel mais flexíveis, além de imóveis voltados para diferentes estilos de vida.
Aluguel de casa: mais espaço e autonomia
O aluguel de casas costuma atrair famílias maiores, pessoas com animais de estimação e moradores que priorizam privacidade e autonomia na rotina. Em bairros residenciais, imóveis térreos, sobrados e casas geminadas oferecem características distintas, o que também influencia diretamente os valores de aluguel.
Além do espaço interno e externo ampliado, com acesso a quintal e garagem, esse modelo de moradia permite maior liberdade para pequenas reformas e adaptações previstas no contrato de aluguel, sem regras condominiais relacionadas a barulho, circulação ou uso das áreas comuns.
Em um cenário pós-pandemia, marcado pela valorização de espaços privados e mudanças nas rotinas de trabalho, um levantamento do DataZAP, produzido pelo Grupo OLX em 2024, apontou que 51% dos entrevistados buscavam imóveis com ao menos uma vaga de garagem. O estudo também mostrou que casas de rua ou condomínio concentraram 49% das buscas, acima dos apartamentos, com 38%, resultado associado à procura por mais espaço e privacidade.
Outro ponto relevante está nas modalidades de locação. Casas localizadas fora de condomínios tendem a apresentar custos mensais mais previsíveis, já que não incluem taxa condominial. Em compensação, despesas de manutenção hidráulica, jardinagem ou segurança costumam ficar sob responsabilidade do locatário.
No mercado imobiliário, imóveis desse perfil aparecem com frequência em bairros horizontais e regiões periféricas, onde o valor por metro quadrado costuma ser menor do que em áreas verticalizadas. Casas são frequentemente procuradas por famílias maiores ou pessoas que trabalham em modelo híbrido ou remoto, público que tende a valorizar áreas privativas e home offices.
Aluguel de apartamento: mobilidade e praticidade
O aluguel de apartamentos se tornou mais comum nos grandes centros por reunir localização estratégica e infraestrutura compartilhada. Imóveis próximos a corredores de transporte, estações de metrô e trem, centros comerciais e polos corporativos costumam atender moradores que dependem de deslocamentos diários ou vivem sozinhos. Nesse perfil, studios, lofts, kitnets e apartamentos compactos ganharam espaço no mercado imobiliário urbano, especialmente entre jovens.
Serviços como portaria, controle de acesso e monitoramento eletrônico influenciam diretamente a percepção de segurança. Além disso, áreas comuns como lavanderias, academias, coworkings e espaços de convivência ampliam a praticidade da rotina sem gerar custos individuais, já que a gestão dessas estruturas fica sob responsabilidade do condomínio.
Os custos, porém, exigem atenção. Além do aluguel, o locatário precisa considerar o condomínio e possíveis taxas extraordinárias aprovadas em assembleia. No mercado imobiliário, apartamentos também costumam ter maior liquidez e contratos mais padronizados. Para quem busca agilidade na mudança ou prefere morar perto do trabalho, o modelo oferece uma relação mais direta entre localização, praticidade e custo-benefício.
O que considerar antes da escolha?
A valorização imobiliária varia entre casas e apartamentos conforme a região, tamanho do imóvel, infraestrutura urbana e a demanda local. Em áreas centrais, apartamentos concentram maior retorno financeiro para investidores devido à procura constante por locação. Já casas podem ganhar valor em bairros residenciais com expansão urbana planejada.
Para quem está buscando uma casa para alugar, antes de fechar negócio, vale analisar: custo total mensal do imóvel; prioridades atuais dentro da rotina; regras previstas no contrato de aluguel; despesas extras e impostos; tempo médio de deslocamento; possibilidade de adaptações internas; perfil da vizinhança; segurança da região.
Ao procurar um imóvel, muitos locatários priorizam fatores ligados diretamente ao estilo de vida atual. Em resumo, a escolha passa pelas necessidades práticas e financeiras de cada pessoa. Assim, em um mercado de aluguel cada vez mais diversificado, compreender as características de cada modelo ajuda a encontrar um imóvel compatível com a rotina e os planos de longo prazo.

