Conforme informou a O NORTE, o produtor Ari José de Souza, o objetivo da vinda ao Norte de Minas foi conhecer sistemas de produção alternativos e a realidade mercadológica que agrega valores aos produtos do agro extrativismo, como, amêndoas, óleos, farelos, polpas e frutas do cerrado como o Pequi, Bocaiúva e Murici.
A intenção é mostrar aos produtores do Estado bons exemplos seguidos por Cooperativas e Associações de outros Estados e aplicar os conhecimentos adquiridos em seus municípios de origem.
Segundo Ari, a experiência adquirida foi de extrema valia tendo em vista que será possível transmiti-la para os assentados e produtores
A primeira parte do roteiro das visitas técnicas foi cumprida na última terça (10) em Jales/SP, onde foram visitados dois pólos de produção, um de citrus (laranja, lima persa, poncã e limão) e outro de uvas Itália e Niagara na propriedade de Cristina Tondato.
Na última quinta-feira a equipe visitou a Cooperjap- Cooperativa de Produtores Rurais Catadores de Pequi de Japonvar.
O grupo ainda visitou as Cooperativas de Produtores de Riacho Dantas, e a Cooperativa Grande Sertão para conhecer o processo de extração do óleo de bocaiúva e seus derivados para a produção de óleos, shampo e sabonetes. Na Cooperativa Grande Sertão, a equipe de Mato Grosso do Sul conheceu as linhas de produção de frutas desidratadas, polpas, doces, rapaduras entre outros, com frutas orgânicas e provenientes do agro extrativismo.
Em Japonvar, de acordo com a equipe, se constatou uma boa preservação e recomposição da vegetação nativa do cerrado, facilitando o extrativismo sustentável, uma vez que os cultivos de subsistência e a pecuária de corte e leiteira são pouco expressivos na região em função dos solos de baixa fertilidade e da baixa quantidade de chuvas distribuídas durante o ano.
A Cooperjap existe oficialmente há dez anos e congrega 210 cooperados, atuando na produção de seis produtos derivados do Pequi como: Farelos, óleos, polpas, pequi em conserva e castanha de pequi desidratada, produtos estes largamente utilizados na culinária da Região Centro-Oeste, mas principalmente na culinária goiana e mineira.
PRODUTIVIDADE E GARGALOS
A produção anual da Cooperativa de Catadores de Pequi de Japonvar varia de 10 a 15 toneladas de Pequi por ano, sendo que a maior parte está sendo comercializada na forma de polpas e óleos, devidamente identificadas com rótulos próprios.
Durante o período de safra da fruta nativa, em média 60 dias, no período de dezembro a fevereiro, a região retira para outros centros consumidores o equivalente a dez caminhões dia, gerando renda extra de aproximadamente R$ 5 milhões por safra aos cooperados, segundo estimativas divulgadas pelo Sebrae-MG. Exportações experimentais já foram feitas para a Alemanha e Estados Unidos com ótimos preços, esbarrando apenas na oscilação de baixas produtividades.
A grande dificuldade dos cooperados de Japonvar veio neste ano, com a quebra de safra do Pequi, atribuída pelos técnicos da UFMG, a falta de chuvas na região, chegando a ficar aproximadamente um ano sem chuvas, aliado também aos problemas de manejo da cultura, que não responde muito bem a colheita forçada com varas, dos frutos verdoengos ou em estágio precoce de maturação.
Quando isso ocorre, diminui sensivelmente a produção do ano seguinte, segundo disse o presidente da Cooperjap, Antônio Alves dos Santos.
EQUIPE
A equipe do Mato Grosso do Sul é composta por doze pessoas, sendo, pequenos produtores de orgânicos dos municípios de Jaraguari, Porto Murtinho, Bela Vista e Ponta Porã (Assentamento Itamarati), pesquisadores, técnicos e estudantes da UCDB, Escola Família Agrícola de Campo Grande e da Superintendência Federal de Agricultura. (* com informações da SFA/MS). (Com Assessoria)
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