O PL oficializará neste sábado (25) a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, mas sem anunciar quem ocupará a vaga de vice em sua chapa. A convenção nacional do partido acontece neste sábado, e integrantes da alta cúpula da legenda ainda não chegaram a um consenso sobre a composição da candidatura.
Conforme apurado pelo jornal O Globo, as negociações com o Republicanos têm contribuído para ampliar as divergências internas sobre quem deve ocupar a vice-presidência.
“A princípio, não será anunciada”, afirmou o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), ao ser questionado sobre a definição da vaga.
A estratégia da campanha é manter a posição em aberto após a convenção e deixar a decisão para até 5 de agosto, prazo final estabelecido pela Justiça Eleitoral para a realização das convenções partidárias. O mecanismo permite que a ata da convenção permaneça aberta e que a Executiva Nacional conclua posteriormente a composição da chapa, preservando espaço para novas alianças.
Nos bastidores, aliados do presidenciável afirmam que a indefinição é resultado de dois fatores principais. O primeiro envolve as conversas com o Republicanos, considerado atualmente o principal aliado com possibilidade de integrar formalmente a chapa presidencial. O segundo é a falta de consenso dentro do próprio PL sobre quem deve ocupar a vice, disputa que ganhou força nas últimas semanas e expôs divergências entre diferentes alas da legenda.
O nome da economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, segue entre os mais cotados para a vaga. Filiada ao Republicanos neste ano, ela se aproximou de Flávio Bolsonaro ao longo da pré-campanha e passou a atuar na elaboração de propostas econômicas e de políticas voltadas ao eleitorado feminino.
Na semana passada, Daniella participou de uma transmissão ao vivo ao lado do pré-candidato para apresentar propostas destinadas às mulheres, como a criação de vouchers para creches e linhas de microcrédito.
Entretanto, sua eventual indicação enfrenta obstáculos. O Republicanos condiciona uma aliança nacional à resolução de impasses estaduais e cobra apoio do PL em quatro estados considerados estratégicos. Até o momento, apenas o Espírito Santo possui acordo formalizado, com apoio ao ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini.
Outro fator importante é a resistência que Daniella enfrenta dentro do próprio PL. Em entrevista concedida ao jornal O Globo na semana passada, o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou que a economista possui qualidades técnicas, mas não agregaria votos suficientes à chapa presidencial.
“O problema dela é que ela não tem voto, mas tem uma imagem muito boa, é uma pessoa muito competente. Precisamos de voto, isso é que vai ser a guerra. Depende do que eles decidirem. O que decidirem está decidido”, declarou.
As declarações evidenciaram a disputa interna. Enquanto um grupo avalia que Daniella poderia ajudar Flávio Bolsonaro a ampliar sua interlocução com o mercado financeiro e reduzir a rejeição entre o eleitorado feminino, outra ala sustenta que a vaga deve ser destinada a uma liderança com maior densidade eleitoral e capacidade de transferência de votos.
Além de Daniella Marques e Tereza Cristina, as deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) também aparecem entre as cotadas. A possibilidade de uma aliança com essas lideranças, porém, perdeu força após a sinalização de que a federação União Brasil-PP deverá adotar uma posição de neutralidade na disputa presidencial.
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