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Nacional

Federação União Progressista pode abrir mão de apoiar Flávio Bolsonaro

Lideranças defendem neutralidade para ampliar espaço de articulação nos estados

João Gabriel Vilalba
Capital News

A federação União Progressista avalia adotar uma posição de neutralidade na disputa presidencial deste ano. A medida pode enfraquecer o apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto na corrida contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo parlamentares do União Brasil ouvidos pelo jornal O Estadão, a decisão é motivada por uma série de fatores. Entre eles está o desgaste provocado pela operação da Polícia Federal que prendeu o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), aliado político de Flávio Bolsonaro.

Também pesam na avaliação da cúpula da federação os desdobramentos do caso Banco Master e as viagens de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos sem alinhamento prévio com dirigentes do partido. Nos bastidores, lideranças defendem que a neutralidade facilitaria a formação de alianças nos estados e daria maior autonomia aos candidatos que disputarão vagas no Congresso Nacional.

No último dia 7 de julho, o governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), lançou sua pré-candidatura ao governo do estado sem mencionar o nome de Flávio Bolsonaro durante o evento.

No Rio de Janeiro, parlamentares avaliam que uma posição neutra da federação poderia facilitar uma composição com o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo estadual e aliado do presidente Lula. Situação semelhante ocorre na Bahia, onde o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, tem buscado aproximação com o pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado.

No PP, partido que integra a federação, também há insatisfação com a falta de apoio de Flávio Bolsonaro ao presidente nacional da legenda, Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro e investigado pela Polícia Federal no caso Banco Master.

Conforme revelou o Estadão, investigadores encontraram no celular do banqueiro Daniel Vorcaro diálogos com Ciro Nogueira e registros de ordens de pagamento destinadas a uma pessoa identificada apenas como "Ciro". À época, o senador afirmou conhecer Vorcaro, mas disse não ter proximidade com o empresário e negou ter recebido qualquer pagamento.

Segundo a investigação da Polícia Federal, há indícios de que Ciro Nogueira teria utilizado o mandato parlamentar em favor dos interesses de Vorcaro no Congresso Nacional. A defesa do senador nega as acusações.

Integrantes do PP afirmam que a decisão pela neutralidade poderá ser revista caso a vaga de vice na chapa presidencial seja oferecida ao partido. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) chegou a ser apontada como uma das possíveis indicadas, mas Flávio Bolsonaro ainda não definiu quem ocupará o posto.

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