A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede), confirmou ao senador Nelsinho Trad (PSD) que estará em Campo Grande entre os dias 23 e 29 de março para participar da COP15, conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Espécies Migratórias.
A vinda da ministra ocorre após a aprovação, no Senado, do Projeto de Decreto Legislativo 50/2026, relatado por Nelsinho Trad, que confirma oficialmente Campo Grande como sede do evento internacional.
Além de Marina Silva, a COP15 deve reunir representantes de 133 países.
A reportagem do Capital News entrou em contato com o senador, que confirmou a vinda da ministra em Campo Grande. A assessoria do Ministério do Meio Ambiente informou que Marina Silva está reorganizando sua agenda de compromissos para participar da conferência na capital sul-mato-grossense no final deste mês.
Impacto econômico
Segundo Nelsinho Trad, o encontro internacional deve movimentar todos os setores da economia local, com estimativa de injeção superior a R$ 14 milhões ao longo da semana.
A projeção considera o fluxo de aproximadamente cinco mil participantes, entre especialistas, delegações oficiais e observadores internacionais. O gasto médio diário por visitante é estimado em R$ 684, o que aponta impacto direto na hotelaria, gastronomia, transporte e comércio.
“O que está em jogo não é apenas a realização de um evento. É o posicionamento estratégico de Mato Grosso do Sul no cenário internacional”, afirmou o senador.
Segurança jurídica e articulação política
A aprovação do decreto legislativo no Senado valida o acordo internacional que garante o Brasil como sede da conferência. Como relator da matéria no Plenário, Nelsinho Trad conduziu a tramitação que assegura respaldo jurídico ao compromisso firmado pelo país.
“O Senado tem a responsabilidade de garantir estabilidade institucional aos acordos internacionais. O Brasil precisa participar dessas discussões com voz ativa, defendendo seus interesses e sua realidade”, declarou.
Investimentos
Desde que Campo Grande foi anunciada como sede da COP15, em julho do ano passado, o Governo do Estado confirmou investimento de R$ 10 milhões na infraestrutura do evento. Já o custo estimado para o governo federal gira em torno de R$ 86 milhões, incluindo logística, segurança, tradução simultânea, estrutura técnica e apoio às delegações internacionais.
Além da movimentação financeira direta, a expectativa é de geração de empregos temporários e fortalecimento do setor de serviços.
“São empregos temporários, fortalecimento do setor de serviços e visibilidade internacional”, destacou o senador.
A taxa média de ocupação hoteleira da Capital, atualmente em cerca de 54%, deve crescer significativamente durante o período da conferência.
Diplomacia ambiental
Criada em 1979, a Convenção sobre Espécies Migratórias é o único tratado global dedicado exclusivamente à proteção de animais que cruzam fronteiras ao longo do ciclo de vida. Atualmente, 132 países e a União Europeia integram o acordo.
No âmbito da Convenção, estão listadas aproximadamente 1.189 espécies migratórias:
• 962 aves
• 94 mamíferos terrestres
• 64 mamíferos aquáticos
• 58 peixes
• 10 répteis
• 1 inseto
Muitas dessas espécies passam pelo território brasileiro, reforçando a importância estratégica da participação do país nas negociações.
Embora o Brasil já tenha sediado conferências climáticas, a COP15 das espécies migratórias possui natureza distinta. O foco está na preservação de rotas ecológicas, habitats e cooperação transnacional — tema que exige articulação diplomática permanente entre os países.
Estrutura
A “Blue Zone”, área oficial de negociações entre governos, será instalada no Bosque Expo. Atividades paralelas ocorrerão no Bioparque Pantanal, na Casa do Homem Pantaneiro e no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.
Os setores hoteleiro e aéreo já foram mobilizados para ampliar a capacidade de atendimento à demanda internacional.
Para o senador, sediar a conferência no Centro-Oeste envia uma mensagem clara ao cenário global.
“Mato Grosso do Sul participa dessa agenda com equilíbrio. Defendemos desenvolvimento, geração de renda e desenvolvimento sustentável. Essa é a mensagem que queremos levar ao mundo.”
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