O ex-vereador César Lands Filho foi exonerado do cargo de secretário-executivo da Juventude. A saída foi publicada na edição extra do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) desta quarta-feira (3), com efeito imediato.
Lands estava afastado da função desde março deste ano, após denúncias de assédio sexual e estupro feitas por um ex-servidor da secretaria. O caso foi registrado em 27 de fevereiro e provocou uma crise interna na administração municipal.
Conforme a publicação, Paulo César Lands Filho foi exonerado, a pedido, do cargo de secretário-executivo da Juventude, símbolo AGP-2. O ato não menciona as denúncias nem detalha o andamento da apuração administrativa.
À época do registro da ocorrência, a Prefeitura informou que estava apurando a situação e que não adotaria medidas precipitadas. Posteriormente, ao confirmar o afastamento temporário do secretário, comunicou a abertura de um processo administrativo para esclarecimento dos fatos.
Entenda o caso
Segundo o boletim de ocorrência, o ex-servidor relatou que trabalhava na Prefeitura e que Lands era seu superior hierárquico, mantendo inicialmente uma relação estritamente profissional.
Ele afirma que, em julho de 2025, após aceitar uma carona oferecida pelo então secretário, teria sido tocado nas partes íntimas dentro do veículo, quando ambos estavam sozinhos. O denunciante disse que não reagiu por receio, em razão da relação de subordinação existente.
Ainda conforme o registro policial, após o episódio, o então secretário teria enviado mensagens com conteúdo de conotação sexual e feito insinuações sobre um possível relacionamento, mesmo após o servidor afirmar que não tinha interesse em qualquer envolvimento.
O boletim descreve ainda que, durante uma confraternização de fim de ano, realizada em 12 de dezembro de 2025, a vítima ingeriu bebida alcoólica em excesso e teria ficado em estado de vulnerabilidade. Segundo o relato, ao final do evento, Lands ofereceu carona novamente.
O jovem afirma que precisou de ajuda para entrar no veículo e que, em vez de ser levado para casa, foi conduzido à residência do secretário. No local, de acordo com o boletim, o investigado teria retirado suas roupas sem consentimento e praticado sexo oral.
A vítima declarou que não se recorda de todos os fatos em razão do estado de embriaguez, mas relatou que acordou nua ao lado do investigado e deixou o local após solicitar transporte por aplicativo.
O ex-servidor também informou que, em janeiro de 2026, voltou à residência do secretário após orientação dele, sob receio de sofrer prejuízos profissionais em razão de atrasos no trabalho. Na ocasião, segundo o boletim, houve nova investida, com toques e beijos sem consentimento.
Por fim, o denunciante relatou que foi demitido e que, ao buscar esclarecimentos, foi informado de que o secretário havia apresentado reclamações sobre seu desempenho profissional.
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