Buscando fortalecer o diálogo entre países em defesa das espécies migratórias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), juntamente com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, aproveitaram a COP15 para conclamar as nações à construção de regras de convivência e à promoção da paz mundial.
Embora a COP15 tenha como foco principal a proteção de espécies silvestres, o Governo Federal, anfitrião do encontro, destacou que temas globais perdem sentido diante do desrespeito às leis internacionais e do uso de ações militares sem restrições. O evento ocorre em um momento delicado, marcado por tensões geopolíticas.
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Campo Grande (MS), 22/03/2026 – Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o Inicio da plenária das atividades da reunião da COP15 biodiversidade Brasil-Pantanal
“Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra. Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima”, afirmou Lula.
“No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de políticas de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado”, acrescentou o presidente.
Ao lado de Lula e Marina Silva, participaram do encontro o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), e a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.
Durante o discurso, Lula ressaltou que, ao longo das décadas, a Organização das Nações Unidas, promotora da COP15, teve papel fundamental na contenção de crises globais, como a destruição da camada de ozônio e a proliferação de armas químicas e biológicas. No entanto, afirmou que, atualmente, a organização tem se mostrado fragilizada diante de novos desafios.
“Nos seus oitenta anos, a ONU teve atuação importante nos processos de descolonização, na proibição de armas químicas e biológicas, na recomposição da camada de ozônio, na erradicação da varíola, na afirmação dos direitos humanos e no amparo a refugiados e imigrantes”, destacou. Em seguida, acrescentou: “Mas o Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de conflitos”.
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Campo Grande (MS), 22/03/2026 – Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o Inicio da plenária das atividades da reunião da COP15 biodiversidade Brasil-Pantanal
Em seu discurso, Marina Silva também chamou a atenção para os riscos do cenário internacional.
“Em um contexto geopolítico tão desafiador como o atual, as guerras, sejam bélicas ou tarifárias, minam a disposição para a cooperação e enfraquecem os sentimentos de solidariedade. Precisamos trabalhar juntos, pois esses animais nos ensinam que, assim como a natureza não reconhece fronteiras, a cooperação também pode superá-las em prol do bem comum”, afirmou.
“Diante de tantas incertezas, agravadas por medidas unilaterais, façamos desta COP15 um momento de defesa contundente do multilateralismo, a única forma de resolvermos nossos problemas”, completou a ministra.
Lula e Marina não citaram diretamente países ou líderes estrangeiros. No sábado, o presidente já havia feito um discurso crítico à escalada de conflitos e ao desrespeito às leis internacionais.
Medidas ambientais anunciadas
No âmbito da COP15, o Governo Federal anunciou medidas de proteção para dois importantes biomas brasileiros — Pantanal e Cerrado — com a ampliação de unidades de conservação e a criação de uma nova área protegida no Norte de Minas Gerais. Ao todo, mais de 174 mil hectares passam a contar com novas medidas de preservação ambiental. Além disso, Lula destacou outras iniciativas em andamento.
Ricardo Stuckert / PR
22.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a sessão de alto nível da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias da ONU, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo. Campo Grande - MS.
“Criamos o Parque Nacional Marinho do Albardão, no extremo sul do país, que serve de rota para golfinhos e leões-marinhos. Também apresentamos a candidatura da região de Abrolhos a Patrimônio Mundial da UNESCO e pretendemos criar áreas de proteção nos montes submarinos de Fernando de Noronha e do Atol das Rocas”, afirmou.
No Pantanal mato-grossense, duas unidades de conservação federais foram ampliadas, totalizando mais de 104 mil hectares adicionais. A Estação Ecológica Taiamã passou de 11.554 para 68.502 hectares, enquanto o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense foi ampliado de 135.922 para 183.182 hectares.
As duas unidades são de proteção integral e desempenham papel essencial na preservação de áreas alagadas de alta relevância ecológica, incluindo berçários naturais que sustentam a pesca no Rio Paraguai e habitats de espécies ameaçadas, como a onça-pintada, o tatu-canastra, a ariranha e o cervo-do-pantanal.
A iniciativa também fortalece a resiliência do bioma frente às mudanças climáticas e contribui para a manutenção de serviços ecossistêmicos que beneficiam comunidades locais e atividades econômicas sustentáveis.
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Além dos ganhos ambientais, a ampliação das áreas protegidas deve impulsionar a economia regional, com reflexos positivos na pesca, no turismo de natureza e na arrecadação por meio do ICMS ecológico, especialmente em municípios como Poconé e Cáceres. A medida também reforça ações de prevenção e combate a incêndios, com a ampliação de brigadas e o fortalecimento do Manejo Integrado do Fogo (MIF).
Lula participa da COP15 sobre Espécies Migratórias
Ricardo Stuckert / PR
22.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, posa para a Fotografia oficial da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias da ONU, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo. Campo Grande - MS.
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