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Campo Grande

Adriane Lopes decide até sexta-feira sobre intervenção no Consórcio Guaicurus

Relatório da prefeitura aponta mais de 21 mil autuações e falhas graves na frota e na prestação do serviço de transporte coletivo

João Gabriel Vilalba
Capital News

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou nesta terça-feira (9) que decidirá até sexta-feira (12) sobre uma eventual intervenção no Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo da Capital. A medida foi recomendada por uma comissão especial da própria prefeitura após a conclusão de um relatório que apontou uma série de descumprimentos no contrato de concessão.

Os documentos foram entregues no início da noite desta segunda-feira (8), com informações detalhadas sobre possíveis irregularidades na prestação do serviço de transporte coletivo. A prefeita também informou que se reunirá na tarde desta terça-feira com representantes da Procuradoria-Geral do Município e da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados) para discutir os resultados da investigação.

Irregularidades

De acordo com o relatório final do PAP (Procedimento Administrativo Preliminar), foram apontadas cláusulas consideradas descumpridas, entre elas as que tratam da qualidade da prestação do serviço, renovação da frota, fornecimento de informações ao poder concedente e manutenção dos seguros obrigatórios.

Ainda conforme o documento, foram identificadas 21.910 autuações entre 2021 e 2025, principalmente por descumprimento de horários e omissão de viagens.

O relatório também aponta o envelhecimento da frota, com idade média de 7,6 anos — acima do limite contratual de cinco anos — e a existência de 98 ônibus com mais de uma década de uso.

Durante as inspeções documentais, foram encontrados registros de falhas de segurança, incluindo veículos com inspeções vencidas, elevadores de acessibilidade inoperantes, panes mecânicas e ônibus retirados de circulação por irregularidades.

Outro ponto destacado foi a ausência dos seguros obrigatórios previstos em contrato entre novembro de 2016 e julho de 2025. Segundo o relatório, a irregularidade resultou em multa superior a R$ 12,2 milhões.

Também foram apontados descumprimentos relacionados ao fornecimento de informações operacionais e financeiras ao poder público, além da não entrega de estudos considerados essenciais para o planejamento e a fiscalização do sistema.

O relatório destaca ainda que as penalidades aplicadas ao longo dos últimos anos não foram suficientes para reverter o cenário.

Apesar da recomendação, a intervenção não significa o encerramento do contrato de concessão. A medida tem caráter temporário e investigativo, com o objetivo de aprofundar a apuração das irregularidades.

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