O motorista de uma van escolar da área rural de Anhanduí, distrito de Campo Grande, foi denunciado por quatro mães por abuso sexual contra crianças de 6 a 14 anos. A primeira mãe a procurar a polícia foi Kelly da Costa Menezes, a dona de casa soube do abuso contra a filha de 6 anos na segunda-feira (4) e procurou a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Dpca) na última quarta-feira.
A mãe disse ao Capital News que a filha era abusada há pelo menos 1 ano pelo motorista de 52 anos. “Na segunda, eu fui buscá-la no ponto e ela me contou que ele deitava ela no banco, tirava a calça e a calcinha dela e passava a mão nas partes íntimas da minha filha”.
Kelly conta que o saber do abuso, contou o caso para o marido e os familiares e eles resolveram vir a Campo Grande para denunciar o caso na terça-feira à noite. A família só conseguiu registrar o boletim de ocorrência na quarta-feira.
A filha da dona de casa disse para mãe que os abusos eram frequentes quando a criança ficava sozinha com o homem na van. “Achamos isso um absurdo e eu quero que esse homem seja preso”, disse Kelly.
A família mora na comunidade Santa Luzia que fica a 47 quilômetros de Anhanduí. Todos os dias, Kelly levava a filha até o ponto de encontro com a van, distante 9 quilômetros da casa dela, e entregava a criança para o motorista.
Segundo a mãe, cerca de 12 crianças são transportadas em cada período pelo motorista até a Escola Municipal 8 de Dezembro em Anhanduí.
A filha de Kelly passou por exame de corpo de delito nesta quinta-feira (7). O exame apontou que a criança não sofreu conjunção carnal, mas mesmo sem o ato sexual, o motorista pode ser indiciado por estupro, já que a nova tipificação do crime inclui os atos libidinosos.
O caso está sendo investigado pela Dpca e conforme informações de Kelly, o motorista iria se apresentar à polícia na tarde desta sexta-feira (8), mas em razão de uma troca de advogado, não compareceu à delegacia.
A reportagem do Capital News foi até a Dpca para obter mais informações sobre o caso, mas o delegado Elton Galindo, que comanda o caso, disse que não falaria com a imprensa até o fim do inquérito.
Há 10 anos
Apesar da indignação e a dor de saber que a filha foi abusada sexualmente pelo responsável por levá-la até a escola, Kelly da Costa não teve tempo para lamentações.
A dona de casa explica que a “má fama” do motorista é conhecida pelos moradores da região há 10 anos. Apesar de uma situação antiga, as famílias nunca procuraram a polícia para denunciar o motorista.
“Eu resolvi fazer isso para que as famílias não tenham medo e denunciem ele”, explica. Até agora, quatro famílias já procuraram a polícia para denunciar o caso de abuso contra crianças.
A dona de casa afirma ainda que o objetivo é buscar mais famílias da região que tenham filhos que possam ter sido vítimas do motorista da van. “Ele sempre teve fama de fazer isso, mas agora ele fez com a minha filha e eu vou atrás de quantas pessoas eu conseguir para que denunciar ele”, completa a mãe.
Oficial
O motorista é um prestador de serviços para a prefeitura de Campo Grande, já que Anhanduí é distrito da capital. Em nota oficial, a Prefeitura esclareceu que o secretário de Educação do município tomou conhecimento da situação nesta sexta-feira e que a empresa comandada pelo motorista foi afastada e o contrato pode ser cancelado.
Ainda de acordo com a Prefeitura, a licitação para o serviço ocorreu em setembro de 2012, mas a empresa já prestava serviços anteriormente.
Em setembro de 2011, segundo os registros da administração de Campo Grande, o diretor da escola comunicou à Secretaria e Educação sobre três casos de abuso sexual envolvendo o motorista da van. Na época, a assessoria jurídica da pasta advertiu o homem e o caso foi arquivado.

francisco lucimar 08/03/2013
Acho um absurdo crianças serem transportadas somente por um motorista,aí é que acontece as coisas,para precaver situaçoes como esta o certo é que uma mulher esteja junto no transporte.Estamos vivendo tempos dificies e não dá pra confiar em ninguem.
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