A família de Madalena Borges da Silva, de 83 anos, acusa Hospital do Coração e o Posto de Saúde do Tiradentes de negligência médica. Madalena faleceu na Santa Casa de Campo Grande neste domingo (9) após ser atendida por três diferentes instituições de saúde.
De acordo com a filha da vítima, Olga Borges da Silva, Madalena passou mal no dia 6 de dezembro e, às 11h da manhã, foi atendida no Hospital do Coração, já que ela tinha convênio médico com a instituição.
Olga disse que sua mãe chegou ao hospital com fortes dores de cabeça, mas estava consciente. Na instituição, ela teria sido atendida pela doutora Letícia Chaad, que teria solicitado exames de urina e sangue na paciente. Porém, a filha de Madalena afirma que a mãe era cardíaca e deveria ter passado por um exame do coração: eletrocardiograma.
Mesmo sentindo dores de cabeça, segundo afirmação de Olga, a paciente foi liberada às 16h. Ela recebeu alta do doutor Elizeu Kragewski com remédios para infecção de urina e anemia, além de vitaminas. A filha, que é técnica de enfermagem, afirma que, “nesses casos é de praxe solicitar exame eletrocardiograma porque o paciente é cardíaco”.
Posto de Saúde
Madalena teria passado o restante do dia em casa. Por volta das 03h do dia 07 de dezembro, não suportando as dores, ela foi levada ao Posto de Saúde do Tiradentes. Lá a o primeiro atendimento teria sido feito pelo médico conhecido como doutor Gilson. Ainda de acordo com afirmações de Olga, o médico teria receitado remédios para controlar a pressão da paciente e teria deixado ela aos cuidados da equipe de enfermagem. “Ela recebeu remédio direto na veia”, disse Olga.
Logo após o atendimento, Olga alegou que outro paciente chegou ao mesmo posto com parada cardiorrespiratória. Ela disse que esse paciente, que faleceu pouco tempo após o atendimento, era pai de uma dentista que atendida na unidade de saúde. “Deixaram minha mãe e todos ficaram atendendo o outro paciente e consolando a dentista”, se queixou Olga.
Ela ainda explicou que sua mãe foi atendida de forma correta apenas pela médica conhecida como doutora Jaqueline. “Ela assumiu o plantão às 7h e fez tudo certo. Ela percebeu que minha mãe precisa de um eletrocardiograma e pediu o exame”, explicou.
Entretanto, de acordo com Olga, Madalena não estava em condições de realizar o exame e, percebendo a gravidade da situação, a médica teria encaminhado a paciente para a Santa Casa. “Ela saiu do Tiradentes toda ‘entubada’, em coma, e chegou à Santa Casa 11h”, afirmou Olga.
Na Santa Casa, Madalena veio a falecer às 3h45 do dia 9 de dezembro, mas a equipe médica da instituição já suspeitava da morte cerebral da paciente no sábado, 8 de dezembro, de acordo com Olga.
Indignação
Olga é técnica de enfermagem da prefeitura, trabalha no Posto de Saúde do Tiradentes e na Santa Casa. Como profissional de saúde, sua maior tristeza e indignação foi o mau atendimento feito que sua mãe recebeu. “Eu cuido bem dos meus pacientes, porque não cuidaram bem da minha mãe?”, indagou.
Segundo Olga, quem acompanhou todos os atendimentos médicos de Madalena foi sua outra filha, Maria Antônia Borges da Silva, que também é técnica de enfermagem e trabalha no Hospital Universitário de Campo Grande.
“Não aceito, minha família inteira está indignada e abalada”, relatou. Olga disse que não fez boletim de ocorrências.
A reportagem do Capital News entrou em contato com a assessoria de imprensa do Hospital do Coração e da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).
No Hospital do Coração, a equipe de imprensa estava numa confraternização e não pode atender a reportagem. A secretária disse que iria entrar em contato com o médico citado, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.
Já a assessoria da prefeitura afirmou que atendimento à paciente foi feito de forma correta com os devidos procedimentos. Madalena foi transferida para a Santa Casa devido ao seu quadro de saúde. A assessoria ainda informou que não pode se responsabilizar pelo caso, já que a paciente faleceu na Santa Casa e não no Posto do Tiradentes.
